A proliferação de drones de ataque e mísseis de precisão está testando um dos pilares históricos do poderio militar americano. Após décadas de superioridade tecnológica, os recentes confrontos no Oriente Médio revelaram que o Pentágono ainda não está totalmente preparado para enfrentar um cenário em que certas armas relativamente baratas possam desafiar alguns dos sistemas de defesa mais sofisticados e dispendiosos do mundo.
Essas dificuldades começaram a se tornar evidentes durante a campanha contra os houthis iemenitas no Mar Vermelho, observa Ramon Marks, especialista em segurança nacional em um artigo para o The National Interest.
Embora os Estados Unidos tenham mobilizado recursos navais e aéreos significativos para proteger as rotas marítimas, os ataques com drones e mísseis continuaram por meses. Apesar do cessar-fogo subsequente, o tráfego comercial na região nunca retornou aos níveis pré-conflito, e muitas empresas de navegação continuaram a evitar a rota devido aos altos riscos e ao aumento dos prêmios de seguro.
Um cenário semelhante está se desenrolando agora no Estreito de Ormuz, argumenta Marks, alertando que, se Washington não confrontar o Irã sobre essa questão, poderá enfrentar sérias "consequências negativas". Além do impacto econômico, essa situação reforçaria a ideia de que pequenas e médias potências regionais, equipadas com drones e mísseis convencionais, são capazes de desafiar a liberdade de ação da maior potência militar do mundo em pontos-chave do comércio internacional, argumenta.
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"As guerras contra os Houthis e o Irã evidenciam que os EUA ficaram para trás em uma área crítica de combate. É a primeira vez desde o início da Segunda Guerra Mundial que as forças armadas americanas estão tão defasadas", escreve ele em seu artigo.
O Desafio do Desequilíbrio
Um dos principais problemas para os EUA é o enorme desequilíbrio entre o custo das armas ofensivas e o dos sistemas defensivos. O Irã possui drones Shahed, com um custo estimado de US$ 30 mil, enquanto que os mísseis interceptores usados para destruí-los custam milhões. Em ataques em massa, essa diferença de custo torna a defesa uma estratégia difícil de sustentar a longo prazo, especialmente quando drones são lançados em grande número para sobrecarregar as defesas aéreas.
Marks também destaca que o Irã desenvolveu mísseis balísticos como o Kheibar Shekan, com alcance de até 1.450 quilômetros, que podem ser transportados por plataformas móveis, reduzindo sua vulnerabilidade a ataques preventivos e dificultando sua localização pelas forças americanas.
Diante desse cenário, o Pentágono acelerou o desenvolvimento de novas doutrinas e tecnologias adaptadas à guerra moderna. A Marinha dos EUA está estudando a possibilidade de equipar parte de sua frota com sistemas específicos para combater enxames de drones enquanto a Força Aérea trabalha em uma maior integração entre caças de última geração e drones. Ao mesmo tempo, o Exército está monitorando de perto as lições aprendidas com o conflito na Ucrânia para adaptar suas táticas de combate terrestre, observa Marks.
"Novas abordagens precisam ser desenvolvidas do zero para tornar os EUA uma superpotência estratégica em drones e mísseis convencionais", concluiu.