Estado dos EUA acusa governo Trump de bloquear investigação sobre crimes de Epstein

Novo México processou o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para obter acesso aos documentos sobre crimes ligados ao rancho do ex-financista.

O estado do Novo México processou nesta quarta-feira (5) o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para obter documentos em sigilo sobre possíveis crimes cometidos por Jeffrey Epstein e seus associados no Zorro Ranch, propriedade localizada nos arredores de Santa Fé.

Na ação, o procurador-geral Raúl Torrez acusa o órgão federal de dificultar a investigação estadual e descumprir uma promessa de cooperação feita em 2019. O processo pede que a Justiça obrigue o departamento a entregar informações e provas relacionadas ao Novo México.

Segundo a denúncia, autoridades federais pediram naquele ano que o estado interrompesse sua própria apuração enquanto a investigação nacional avançava. Em troca, teriam prometido compartilhar dados sobre eventuais crimes estaduais identificados.

Investigação retomada

O Novo México afirma que entregou aos investigadores federais seu arquivo completo, com relatórios policiais e entrevistas de testemunhas, mas nunca recebeu as informações prometidas. O Zorro Ranch também não teria sido vistoriado pelas autoridades federais.

A investigação estadual foi reaberta em fevereiro de 2026, e a primeira busca policial na propriedade ocorreu em 9 de março. A apuração envolve possíveis crimes de homicídio, sequestro, violência sexual e tráfico de pessoas, de acordo com o processo.

Entre os documentos solicitados está um registro que menciona a possível existência de duas vítimas enterradas nas terras do rancho. O estado também busca identificar nomes ocultados em arquivos relacionados a vítimas, testemunhas e possíveis envolvidos.

Recusa federal

O Departamento de Justiça alegou que os pedidos eram amplos, poderiam violar regras de privacidade e esbarravam em ordens judiciais de proteção dos processos de Epstein e Ghislaine Maxwell.

O Novo México sustenta que essas restrições impedem apenas a divulgação pública e não o compartilhamento confidencial entre autoridades. A ação afirma ainda que o governo federal disponibilizou documentos sem censura para integrantes do Congresso.

O estado pede que a Justiça declare ilegal a recusa e determine a entrega das informações necessárias para a investigação criminal.