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Governo Lula repudia EUA após revogação de visto de embaixadora e acusa interferência política

Em nota, Palácio do Planalto afirma que justificativas de Washington são falsas, vê "escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil" e acusa os Estados Unidos de tentar influenciar o processo político e a próxima eleição presidencial.
Governo Lula repudia EUA após revogação de visto de embaixadora e acusa interferência políticaGettyimages.ru / Andrew Harnik

O governo brasileiro reagiu nesta terça-feira (4) à decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora do Brasil em Washington, classificando a medida como parte de uma escalada de ações hostis contra o país.

Em nota oficial, o Palácio do Planalto repudiou a decisão e afirmou que as justificativas apresentadas por Washington são "falsas". A Casa Branca argumentou pela decisão após a demora brasileira em autorizar Daniel Perez a assumir a representação americana em Brasília.

Segundo o governo brasileiro, o processo de concessão da anuência necessária para a nomeação de embaixadores é confidencial e deve seguir as regras previstas na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

A nota sustenta que os Estados Unidos anunciaram publicamente o nome de seu indicado antes mesmo de encaminhar formalmente o pedido ao Brasil e ressalta que "não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément".

Interferência

O Executivo também rebateu críticas relacionadas à negativa de vistos a dois funcionários do governo norte-americano. De acordo com a nota, eles pretendiam visitar o Brasil "para colocar em dúvida a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional".

O governo brasileiro lembrou ainda que continuam em vigor sanções impostas pelos Estados Unidos a autoridades brasileiras, incluindo o cancelamento de vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e integrantes do primeiro escalão do Executivo, sob a alegação de perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

O texto afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou ao presidente Donald Trump, durante visita a Washington em maio, a revogação dessas medidas.

Razões ideológicas

Na avaliação do Planalto, a decisão anunciada nesta terça-feira "faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo". A nota acrescenta que há um "interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente".

Ao final, o governo reiterou que mantém sua tradição diplomática de defesa do diálogo e da negociação como base das relações internacionais.