
PF diz que Weverton cobrava repasses e que esposa recebeu mais de R$ 11 milhões

A Polícia Federal afirma que o senador Weverton Rocha formulava demandas, indicava beneficiários, cobrava pagamentos e acompanhava repasses em uma estrutura sob investigação. A informação consta em decisão assinada na segunda-feira (3) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que também registra que Samya Rocha, esposa do parlamentar, teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas ao advogado Willer Tomaz.
A apuração foi instaurada a partir de elementos extraídos de um celular atribuído a Weverton, comparados com informações produzidas na Operação Sem Desconto.
Segundo a decisão, a hipótese inicial envolve possível corrupção passiva no ambiente do INSS, em razão da atuação política atribuída ao senador no contexto dos descontos associativos sobre benefícios previdenciários.
A PF aponta Willer Tomaz como integrante de uma estrutura associada a empresas, imóveis, aeronaves, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos.
A nona fase da Operação Sem Desconto cumpriu, nesta terça-feira (4), 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão. As medidas alcançaram familiares de Weverton, empresas e o advogado Willer Tomaz.
Repasses e patrimônio
A decisão afirma que a conta pessoal de Samya foi considerada como alternativa para o recebimento de valores.

O documento menciona diálogos sobre um repasse de R$ 500 mil, uma transferência de R$ 250 mil oriunda da Petro São José e recebimentos superiores a R$ 11 milhões provenientes de empresas relacionadas a Willer Tomaz, entre elas a Aragão e Tomaz Advogados Associados.
A investigação descreve movimentações entre pessoas físicas e jurídicas, pagamentos de despesas pessoais e familiares, depósitos em espécie, contratos de mútuo e aquisição ou uso de bens em nome de terceiros.
Também são citados imóveis, veículos, aeronaves, propriedades rurais e empresas de radiodifusão. A decisão ressalta que as referências a lavagem de capitais, ocultação patrimonial e organização criminosa reproduzem hipóteses da PF e não representam antecipação de responsabilidade penal.
