'Tudo ficou destruído. Essa é a nossa política', diz ministro israelense sobre Gaza

Israel Katz afirma que a estratégia militar israelense em Gaza deixou em ruínas mais da metade do enclave palestino.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou, durante uma entrevista exibida pelo Canal 14 de Israel, que a faixa de segurança estabelecida pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) em Gaza ocupa entre 50% e 60% do território palestino.

Segundo ele, a área foi destruída como resultado de uma "política bem planejada", que tem como objetivo manter uma zona de separação entre Israel e os grupos armados palestinos.

"Aliás, tudo ficou destruído naquela área. Essa é a nossa política [...]. Não há casas, não há ameaças. O mesmo acontece no sul do Líbano", declarou Katz.

Nos últimos dias, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, voltou a afirmar que Israel pretende manter suas forças nas chamadas "zonas de segurança" estabelecidas em Gaza, na Síria e no Líbano, apesar dos apelos dos Estados Unidos para a retirada das tropas.

Presença militar além de Gaza

No Líbano, as forças israelenses mantêm o controle de uma faixa de até 10 quilômetros de profundidade no sul do país. Em Gaza, o Exército israelense controla mais de 60% do território. Já na Síria, Israel mantém tropas na zona de amortecimento da ONU nas Colinas de Golã, ocupada após a queda do governo de Bashar al-Assad, em 2024.

Enquanto isso, o plano apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar o conflito em Gaza prevê a retirada completa das forças israelenses, a restauração da vida civil, a criação de uma administração palestina, a reconstrução do enclave e um caminho político rumo à autodeterminação palestina.

Segundo o documento, Israel deverá cumprir integralmente, e sem demora, os compromissos previstos no Protocolo de Sharm el-Sheikh, enquanto o Hamas e outras facções palestinas deverão interromper todas as operações armadas. Em seguida, um Comitê Nacional para a Administração de Gaza assumiria o controle do território com plena independência.

Atualmente, o Estado da Palestina é reconhecido como país soberano por 157 dos 193 Estados-membros da Organização das Nações Unidas (ONU), incluindo quatro dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança: Rússia, China, França e Reino Unido. A Santa Sé, autoridade máxima da Igreja Católica e do Estado da Cidade do Vaticano, também reconhece a Palestina e possui status de Estado observador não membro da ONU.