Trump queria lançar contra o Irã o 'ataque mais forte desde a Segunda Guerra Mundial'

Segundo o mandatário, Teerã entrou em contato com Washington para impedir a agressão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (3) que estava pronto para lançar um ataque contra o Irã que teria sido o "mais forte desde a Segunda Guerra Mundial".

"Então eu disse a eles: Um momento, estamos em negociações. Às vezes, eles [as autoridades iranianas] negam isso, embora passem horas e horas conversando. Não, as negociações estão indo bem. Íamos atacá-los com muita força ontem. Mais forte do que qualquer outro ataque (...) desde a Segunda Guerra Mundial. Estávamos prontos para agir. E eles ligaram", afirmou o mandatário durante um encontro com a imprensa na Casa Branca.

Segundo Trump, representantes de vários países, incluindo Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, intervieram para dissuadi-lo de realizar uma agressão da magnitude à qual se referiu. Ele acrescentou que a República Islâmica insistiu em restabelecer o canal de diálogo porque não queria ser atacada.

"Recebemos ligações de muita gente. Não quero usar a palavra 'implorar', mas alguns, em particular o Irã, não queriam ser atacados. E disseram: 'Queremos conversar. Queremos conversar sobre o estreito, mas, mais importante, do meu ponto de vista, queremos conversar sobre a desnuclearização do Irã. Porque é disso que se trata tudo'", relatou à imprensa.

No sábado (1º), Trump afirmou na Truth Social que os Estados Unidos estão preparados para bombardear o território iraniano com "níveis de terror militar, força e poder jamais vistos desde a Segunda Guerra Mundial". Suas declarações foram respaldadas pelo secretário da Guerra dos Estados Unidos, Peter Hegseth.

Versões contraditórias

Trump acrescentou que deu ao Irã uma "última oportunidade" para alcançar um acordo que permita encerrar as hostilidades e insistiu que as negociações "seguem em andamento". "Estão acontecendo neste exato momento", afirmou.

Apesar das declarações do político republicano, Teerã não mantém negociações com Washington. Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, os diálogos atuais envolvem apenas Omã e estão focados em um acordo destinado a garantir a passagem segura de embarcações pelo Estreito de Ormuz.

Em contrapartida, Trump disse à imprensa que a Casa Branca participa, sim, das negociações para reabrir a passagem marítima. Além disso, mencionou uma "segunda fase", na qual estaria sendo discutido o programa nuclear do país persa.

"Estamos falando do estreito, da reabertura do estreito, para que esteja aberto, literalmente, já amanhã. Completamente aberto. E essa é a primeira fase", afirmou. "E a segunda fase consiste em que, então, falaremos da questão nuclear", acrescentou. "Basicamente, acredito que se trata da desnuclearização do Irã", concluiu.