Descoberto mecanismo que pode proteger cérebro do Alzheimer

Estudo revela que a variante genética APOE2 ajuda a proteger e reparar o DNA dos neurônios, reduzindo os danos associados ao envelhecimento celular e oferecendo novas perspetivas para o desenvolvimento de tratamentos contra a doença de Alzheimer.

O gene APOE2, associado à longevidade, pode desempenhar um papel importante no combate à doença de Alzheimer ao ajudar as células cerebrais a proteger e reparar o seu DNA. A conclusão é de um estudo realizado pelo Instituto Buck para a Investigação do Envelhecimento, nos Estados Unidos, divulgado pelo ScienceDaily a 24 de julho.

Há vários anos que se sabe que as pessoas portadoras da variante APOE2 do gene da apolipoproteína E tendem a viver mais tempo e apresentam um risco significativamente menor de desenvolver a doença de Alzheimer. No entanto, o mecanismo biológico responsável por esse efeito protetor permanecia pouco compreendido.

Agora, investigadores do Instituto Buck descobriram que o APOE2 ajuda os neurônios a proteger o seu DNA e a evitar a senescência celular — um processo de envelhecimento em que as células deixam de funcionar corretamente. Esta deterioração contribui para a neurodegeneração, provocando danos progressivos e a morte lenta das células cerebrais.

Para chegar a estas conclusões, os cientistas recorreram a células estaminais pluripotentes humanas e a tecido cerebral de rato. Ao compararem as três principais variantes do gene — APOE2, APOE3 e APOE4, esta última considerada o maior fator de risco genético para a doença de Alzheimer — verificaram que os neurônios com a variante APOE2 acumulavam menos danos no DNA e recuperavam mais rapidamente após situações de stress celular.

A descoberta abre novas perspetivas para o desenvolvimento de terapias destinadas a pessoas com maior predisposição genética para demência.