Itamaraty veta cônsul em SP e deixa Israel sem representação no Brasil

Israel permanece sem embaixador em Brasília desde março de 2025, quando pedido anterior foi negado.

O Itamaraty impediu a nomeação da diplomata Vivian Aisen como cônsul-geral de Israel em São Paulo, informou a Folha de S.Paulo na sexta-feira (31). A justificativa oficial aponta sua dupla cidadania — brasileira e israelense — como impedimento central para a designação.

Nascida no Brasil, Vivian mudou-se ainda jovem para Israel, onde construiu carreira diplomática.

Fontes próximas ao caso revelam que a diplomata chegou a sinalizar disposição para renunciar à nacionalidade brasileira, mas a medida não foi suficiente para reverter a decisão.

Com a recusa, o consulado paulista, um dos postos israelenses mais relevantes no país, deve ficar vago após o término da missão de Rafael Erdreich. Esta é a segunda negativa do governo Lula a diplomatas de Tel Aviv.

Em março de 2025, o Itamaraty reteve a aprovação de Gali Dagan para a embaixada em Brasília. Desde então, Israel permanece sem embaixador no Brasil, com missão em Brasília chefiada pela encarregada de negócios Rasha Athamni, israelense muçulmana.

Vivian foi posteriormente designada para Bogotá; a Colômbia, sob governo do recém-eleito Abelardo de la Espriella a partir de 7 de agosto, já restabeleceu relações com Israel, anunciando a transferência da embaixada para Jerusalém.

Tensões diplomáticas

A crise diplomática se intensificou desde fevereiro de 2024, quando Lula comparou as ações militares israelenses em Gaza ao Holocausto.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reagiu declarando o presidente brasileiro "persona non grata"; o embaixador brasileiro foi chamado publicamente ao memorial Yad Vashem para uma represália, posteriormente retirado de Tel Aviv sem substituição, o que rebaixou o nível das relações bilaterais.

Recentemente, Netanyahu gravou mensagem apoiando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em sua candidatura à Presidência da República, evidenciando o alinhamento com a oposição brasileira e aprofundando o fosso diplomático entre Brasília e Tel Aviv.