União latino-americana: Petro é recebido pelo presidente de Cuba em sua última viagem do mandato

''Não aos mísseis, não à invasão, não ao bloqueio'', afirmou o mandatário colombiano em solidariedade a Havana, que sofre pressão intensa de Washington.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, recebeu neste sábado (1º) seu homólogo colombiano, Gustavo Petro, que escolheu o país caribenho como destino de sua última viagem oficial. Segundo Petro, a viagem materializa sua oposição "a uma guerra no Caribe".

"Quero, de Cuba, me opor a uma guerra no Caribe", escreveu Petro em suas redes sociais. Com isso, referiu-se, em primeiro lugar, aos bombardeios dos EUA contra embarcações classificadas, sem provas, como "narcolanchas", bem como à ineficácia dessas ações para conter o tráfico internacional de drogas, reconhecida pelos próprios norte-americanos em um relatório oficial divulgado recentemente pela imprensa.

Na mesma linha, afirmou que "agora se fala de invasões e mísseis na ilha de Cuba", em referência às declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, e de outros altos oficiais de seu governo que deixaram claro que não foi descartada uma agressão militar direta contra a maior ilha do Caribe.

Como contraponto, o chefe de Estado destacou as contribuições de Havana para Bogotá, entre elas a formação de "2 mil médicos e médicas", além do apoio ao processo de paz entre o Estado colombiano e as extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) durante o governo do presidente Juan Manuel Santos (2010-2018). Também mencionou as "centenas de milhares de vidas" salvas durante a pandemia de covid-19 graças à vacina desenvolvida por cientistas cubanos.

"Nem os mísseis, nem a invasão, nem o bloqueio são soluções para os problemas da humanidade. O voto do meu povo foi pela paz, e esse é o meu princípio. Os bloqueios constituem violações generalizadas dos direitos humanos", afirmou.

Para concluir, Petro reiterou a necessidade de estabelecer "um diálogo entre civilizações que inclua a América Latina e o Caribe em pé de igualdade" como o único caminho para alcançar a paz mundial, "salvar toda a vida e a existência humana no planeta".