
Veto de Netanyahu impediu transferência do Domo de Ferro à Ucrânia — The Washington Post

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, bloqueou a transferência do Domo de Ferro para a Ucrânia, informou na sexta-feira (31) o jornal americano The Washington Post.
A reportagem aponta que, em 2023, o senador republicano Lindsey Graham* liderou uma iniciativa para transferir baterias do sistema de defesa antiaérea israelense à Ucrânia, em face do conflito com a Rússia. A tentativa, contudo, esbarrou na oposição do premiê.

Netanyahu teria invocado um acordo de coprodução que concede a Israel poder de veto sobre o uso do sistema, mesmo que as baterías em questão tivessem sido financiadas pelo governo americano.
A justificativa apresentada pela embaixada israelense em Washington sustentava preocupações de que a tecnologia pudesse chegar às mãos iranianas — receio que Netanyahu reafirmou em uma entrevista concedida em 2023.
O senador democrata Chris Van Hollen criticou duramente a decisão. Segundo ele, o veto compromete a soberania americana e prejudica a segurança nacional ao limitar as opções do país.
"Os sistemas de mísseis que queríamos transferir estavam estacionados no sudoeste dos Estados Unidos e foram pagos pelos contribuintes americanos, mas Israel vetou", declarou.
Lobby israelense
Agora, legisladores americanos buscam expandir essa relação além da defesa antimíssil, abrangendo áreas como armas biológicas, inteligência artificial, cibersegurança e sistemas de energia direcionada.

A proposta, incluída no projeto de lei de defesa de US$ 1,15 trilhão aprovado na Câmara dos Representantes dos EUA em 22 de julho, conta com apoio de Netanyahu e do influente grupo de lobby AIPAC. A iniciativa enfrenta resistência de democratas progressistas e republicanos conservadores, que tentam bloqueá-la no Senado.
Críticos temem que a medida permita a Israel vetar ainda mais tipos de armamentos americanos destinados a terceiros países enquanto é promovida sua produção de defesa nos Estados Unidos, criando empregos em distritos congressionais e consolidando apoio doméstico aos programas.
O debate coincide com visitas simultâneas a Washington de Netanyahu e do líder do regime de Kiev, Vladimir Zelensky, colocando os dois aliados americanos em potencial competição direta por recursos militares.
Durante encontro com Trump, Zelensky não obteve a autorização de produção de armas americanas na Ucrânia e ouviu que seria difícil atender seu pedido de 300 interceptores Patriot, pois essas munições estavam sendo consumidas na guerra contra o Irã.
*O falecido senador era incluído na lista de terroristas e extremistas da Rússia.

