'Onde estão Kaja e Ursula?': Rússia denuncia silêncio de Bruxelas sobre crise migratória na Espanha

De acordo com a porta-voz da chancelaria russa, a crise foi possibilitada pelo "abandono do Estado de Direito e pela legalização da ilegalidade" dentro da União Europeia.

A reação da liderança da União Europeia à crise migratória na cidade espanhola de Ceuta foi um fracasso e revela uma crise estrutural dentro do bloco, declarou nesta sexta-feira (31) a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova.

"Nossa pergunta é: como isso pôde acontecer? A resposta é clara: divisão interna dentro do bloco ocidental. Eles se odeiam; objetivos e valores falsos; o abandono do Estado de Direito; a legalização da ilegalidade, especialmente a pirataria marítima; e arbitrariedade política causada pela primazia do lucro e da ideologia sobre a moralidade, a ciência e o bom senso", afirmou.

Segundo Zakharova, as milhares de travessias registradas ao longo de uma semana configuram uma "catástrofe humanitária".

"As pessoas estão se afogando no Estreito de Gibraltar, morrendo nos quebra-mares e dormindo nas calçadas, enquanto as autoridades discutem entre o governo central e a cidade autônoma de quem é a responsabilidade. Onde estão Kaja Kallas e Ursula von der Leyen?", questionou.

A porta-voz também perguntou como milhares de pessoas conseguiram organizar a travessia da fronteira em tão pouco tempo e afirmou que, em vez de alertar os europeus sobre uma suposta "ameaça russa", a OTAN poderia ter compartilhado informações com Madri para ajudar a lidar com a situação.

Crise migratória

Desde quinta-feira, 30 de julho, milhares de migrantes conseguiram chegar a Ceuta, principalmente nadando, mas também a pé, escalando o quebra-mar que separa a cidade do território marroquino. Pelo menos 24 pessoas perderam a vida nesse processo.

Na quinta, Marrocos e Espanha estabeleceram um acordo para o fechamento de fronteiras e o retorno imediato de imigrantes em situação irregular, o que motivou a mobilização do exército espanhol.

O evento representa a crise migratória mais severa enfrentada pela Espanha desde 2021, período em que Marrocos utilizou o controle de fronteiras como retaliação ao asilo concedido pela Espanha a Brahim Ghali, líder da Frente Polisário.