Pesquisadores militares chineses estão utilizando modelos de inteligência artificial (IA) desenvolvidos pelas empresas americanas OpenAI e Anthropic para treinar seus próprios sistemas, de acordo com uma investigação da Reuters e da Jamestown Foundation, divulgada nesta sexta-feira (31).
O think-tank americano alega que instituições chinesas extraem conhecimento de um modelo avançado para treinar um modelo menor, em uma técnica conhecida como "destilação". Dessa forma, conseguem desenvolver suas próprias ferramentas sem precisar investir os enormes recursos necessários para criar sistemas de IA avançados do zero.
A destilação de modelos já foi utilizada em diversas áreas, desde vigilância e moderação de conteúdo até o desenvolvimento de capacidades militares.
Entre outras, a organização acusa pesquisadores da Universidade do Norte da China, que possui fortes laços com a indústria bélica do país, de utilizaram o modelo Claude 3 Haiku da Anthropic para gerar dados de treinamento para sistemas de classificação de texto destinados ao monitoramento de mídias sociais e à moderação de conteúdo.
Outras instituições ligadas ao setor militar chinês teriam utilizado essa técnica para adaptar modelos de análise de imagem para drones e modelos de reconhecimento de alvos para sistemas táticos em simulações de operações marítimas.
A China rejeitou as acusações, afirmando que Washington está buscando "hegemonismo" no setor de IA, ao mesmo tempo que aponta que empresas americanas têm recorrido a práticas semelhantes.