Delcy Rodríguez se pronuncia sobre eventual realização de eleições na Venezuela

A presidente encarregada descartou a possibilidade de que o processo seja supervisionado por agentes como os Estados Unidos e a União Europeia.

A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o país bolivariano realizará novas eleições quando as circunstâncias forem propícias. Em sua avaliação, isso ocorrerá no momento em que "todos os atores políticos" nacionais "chegarem a um entendimento". 

"A Venezuela realizará eleições quando estiver preparada", sustentou a dignitária ao responder a uma pergunta da revista TIME sobre o tema, em entrevista publicada nesta quinta-feira (30). Como parte de sua reflexão, apontou que "depois do 3 de janeiro", quando Caracas foi bombardeada por tropas americanas e o presidente Nicolás Maduro foi sequestrado, viu-se obrigada a "mudar" a política governamental e impulsionar um processo de reconciliação nacional em grande escala

"Foi então que compreendi que devíamos mudar nosso enfoque político, que nossas políticas haviam sido equivocadas, e por isso o Programa de Convivência Democrática e Paz é, para mim, fundamental. Porque deve nos conduzir a uma realidade política diferente, onde os extremistas não acreditem que a violência seja o caminho para o poder político, e onde nós, como governo, reconheçamos que temos opositores políticos e que essas diferenças serão resolvidas nas urnas", argumentou. 

Ao ser questionada a dar mais detalhes, ela considerou que o momento de anunciar eleições "chegará quando todos os atores políticos do país chegarem a um entendimento" e puderem dizer à nação que "estão prontos". "Não depende de uma única pessoa. Neste caso, não depende de uma única mulher. Espero que possamos construir isso juntos", acrescentou.

Quanto a se permitiria que entidades internacionais, como os EUA e a União Europeia, "supervisionassem as eleições", Rodríguez rejeitou tanto a ideia da supervisão quanto a possibilidade de que fatores externos se atribuam decisões que competem apenas aos venezuelanos.

"O processo eleitoral venezuelano deve ser, antes de tudo, um processo nacional. A Venezuela tem a tradição de contar com observadores internacionais em seus processos eleitorais, mas essa observação internacional deve ser respeitosa com o país. Não deve envolver grupos que venham tomar decisões em nome do país", comentou.