O governo espanhol ordenou, nesta quinta-feira (30), a mobilização de militares destacados na cidade de Ceuta, onde foi registado um fluxo maciço de imigrantes que atravessaram a nado desde Marrocos, segundo o jornal El País. De acordo com a reportagem, as tropas reforçarão o trabalho já realizado pela Guarda Civil, que está sobrecarregada pela crise migratória.
O prefeito-presidente, Juan Jesús Vivas, solicitou a Madri que declarasse estado de emergência nacional, argumentando que, nos últimos 10 dias, a cidade recebeu cerca de 1.500 migrantes irregulares, que atravessaram a nado a fronteira de Tarajal, fronteira com o território marroquino. O pedido foi negado pelo Ministério do Interior, que argumentou que tal medida só pode ser invocada em caso de desastre natural.
Por sua vez, o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, assegurou que o seu governo está focado "em dar uma resposta imediata à situação em Ceuta", para o que está "mobilizando todos os recursos necessários, trabalhando com as autoridades marroquinas e internacionais e preparando as medidas necessárias para restabelecer a normalidade o mais rapidamente possível".
Segundo cálculos das autoridades, os migrantes recém-chegados representam cerca de 2% da população total e já ultrapassaram a capacidade do Centro de Acolhimento Temporário, órgão público responsável por lhes prestar apoio.
Problema antigo
A nova onda de migração agrava uma crise que pressiona Ceuta há pelo menos uma semana. Caso lembra 2021, quando cerca de 5.000 marroquinos atravessaram a fronteira em um dia.
Milhares de pessoas, na sua maioria jovens, juntam-se em fila que chega a cinco quilómetros no local que separa o lado marroquino da fronteira do enclave espanhol.
De Bruxelas, o Comissário Europeu para os Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, afirmou que a União Europeia (UE) está preparada para "aumentar o apoio à Espanha, inclusive por meio da colaboração com a Frontex [a Agência Europeia da Guarda Costeira e de Fronteiras], para controlar a situação".
Ele também afirmou que o bloco estabeleceu contato com as autoridades marroquinas "para garantir que todos os esforços necessários sejam feitos para impedir essas viagens perigosas" e enfatizou que "proteger as fronteiras externas da União é uma parte crucial" de seus "esforços para combater a migração ilegal".