Pesquisadores russos revelaram uma descoberta revolucionária na luta contra o câncer: um sistema de administração de medicamentos baseado em nanocápsulas que, em experimentos, provou ser dez vezes mais eficaz do que a quimioterapia tradicional, informou a agência TASS nesta quinta-feira (30).
O método, desenvolvido pela equipe do acadêmico Sergey Deev, do Instituto de Química Bioorgânica de Moscou, utiliza doxorrubicina, uma substância que danifica o DNA das células cancerígenas. No entanto, em condições normais, ela não distingue entre células malignas e saudáveis, causando efeitos colaterais graves, e é pouco solúvel em água, dificultando seu transporte pelo corpo.
A solução proposta pelos cientistas russos são as nanocápsulas, capazes de se desintegrar rápida e completamente na corrente sanguínea. "A eficácia dessa abordagem supera a eficácia da quimioterapia tradicional em uma ordem de magnitude", afirma o relatório da equipe de Deev.
Graças a esse sistema, o medicamento sai do vaso sanguíneo e entra no espaço entre as células — o interstício — penetrando profundamente no tecido tumoral, atingindo diretamente as células cancerígenas.
Os nanocápsulas são feitas de estruturas moleculares contendo metais que são facilmente substituídos por íons de fosfato presentes no sangue, o que contribui para a rápida desintegração das nanocápsulas na corrente sanguínea.
"Em aproximadamente meia hora a uma hora, uma grande quantidade de doxorrubicina é liberada, penetrando nas células cancerígenas localizadas próximas a esses vasos sanguíneos. [...] A eficácia aumentou dez vezes", enfatizam os cientistas.
Os resultados do estudo foram apresentados na Conferência Internacional de Engenharia Biológica e Biofarmacêutica, realizada na cidade russa de Novosibirsk, de 28 a 31 de julho.