
Como seria uma operação terrestre dos EUA contra o Irã?

Os Estados Unidos suspenderam por três dias sua campanha de ataques aéreos contra o Irã, retomada no início de julho. Ao mesmo tempo, o presidente Donald Trump afirmou que os iranianos ainda não estão prontos para chegar a um acordo, e não descartou recorrer novamente à opção militar.

Nesse contexto, especialistas analisam as opções disponíveis para o governo dos EUA, alertando que todas trazem riscos significativos.
Condições para nova escalada
"Estou considerando um ataque massivo. Maior do que nunca. Estou perto de tomar uma decisão. Estamos totalmente preparados para isso", afirmou Trump à imprensa na quinta-feira (23). O presidente acrescentou que está ciente das consequências que tal operação teria e ressaltou que ainda não foi tomada uma decisão final.
Na quarta-feira (22), o The Wall Street Journal informou que os Estados Unidos estão enviando tropas, pessoal médico e armamento adicional para o Oriente Médio com o objetivo de ampliar o leque de opções militares à disposição de Trump.
O presidente americano também afirmou que Israel "entraria [no conflito] em dois minutos" se ele pedisse, embora insistisse que "não precisam de ninguém".
Opções de Trump
Ex-comandantes militares dos EUA e especialistas concordam que Washington não parece estar se movendo em direção a uma operação terrestre em grande escala no Irã, o que exigiria um contingente muito maior do que os aproximadamente 50 mil militares americanos atualmente mobilizados na região.
No entanto, eles não descartam o uso de forças terrestres em operações limitadas, como a tomada de ilhas estratégicas, incluindo a ilha de Kharg, ou incursões pontuais de forças especiais contra instalações militares.
Como explicou Joseph Votel, que liderou as operações militares dos EUA no Oriente Médio entre 2016 e 2019 à frente do Comando Central dos EUA, tais operações poderiam se concentrar em destruir as capacidades militares iranianas localizadas principalmente em áreas costeiras, embora também pudessem atingir alvos localizados mais para o interior do país.
No entanto, uma operação maior, como a ocupação de território continental próximo ao Estreito de Ormuz com o objetivo de reabrir a navegação, exigiria pelo menos 100 mil soldados, observou Votel.
O coronel aposentado dos Fuzileiros Navais e conselheiro sênior do centro de Estudos Estratégicos e internacionais, Mark Cancian, considera que a possibilidade de uma invasão terrestre do território continental iraniano é "quase nula", enquanto uma operação para ocupar ilhas estratégicas é "mais provável".
De acordo com Cancian, Washington tem as forças necessárias na região, incluindo milhares de Fuzileiros Navais e tropas aerotransportadas, para assumir ilhas como Kharg. No entanto, ele alertou que esta seria uma operação militar em grande escala, durante a qual as forças americanas seriam expostas ao fogo iraniano e inevitavelmente sofreriam baixas.
Que opções tem o Irã?
Teerã também conta com várias capacidades que não utilizou durante a rodada anterior de confrontos.
Além de retomar o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma eventual expansão do conflito também poderia levar ao fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb, outro corredor marítimo fundamental para o comércio global de hidrocarbonetos.
Um eventual ataque houthi a navios ou portos na área poderia agravar muito a crise energética global, afetando simultaneamente as duas principais rotas de exportação de petróleo do oriente médio.
Além do bloqueio do estreito, o Irã tem dezenas de tipos de minas navais, armadilhas e minas controladas remotamente que podem ser implantadas rapidamente ao longo de rotas marítimas estratégicas.
Vali Kaleji, especialista em estudos regionais da Ásia Central e do Cáucaso com sede em Teerã, acredita que se Donald Trump cumprir sua ameaça de atacar a infraestrutura energética iraniana, Teerã provavelmente responderia com medidas semelhantes. No entanto, ele alerta que um ataque às usinas de dessalinização da região pode ter consequências ainda mais graves.
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"Enquanto o Irã obtém por dessalinização cerca de 3% de seu abastecimento de água, Israel obtém 80% de sua água potável de apenas cinco usinas de dessalinização. Da mesma forma, o Bahrein conta com quatro instalações para cobrir 60% de seu abastecimento de água potável, e os Emirados Árabes Unidos obtêm grande parte de seus recursos hídricos de cinco grandes usinas, incluindo a de Jebel Ali", explica.


