MP denuncia quatro suspeitos de integrar o PCC por monitorar autoridades em SP

Segundo o Gaeco, suspeitos coletavam endereços, trajetos, imagens e dados de familiares para abastecer a "Sintonia Restrita", setor apontado como responsável por planejar atentados.

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou quatro homens por suposta participação em uma organização criminosa armada ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) que, segundo a investigação, monitorava autoridades para subsidiar possíveis atentados.

A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) na sexta-feira (24) e protocolada na Justiça na segunda-feira (27), informou o portal g1.

Entre os alvos estariam o promotor Lincoln Gakiya e o coordenador regional de presídios Roberto Medina. Segundo o Gaeco, o grupo levantava endereços, rotinas, trajetos, imagens e informações sobre familiares das autoridades.

O material seria encaminhado à "Sintonia Restrita", setor do PCC apontado como responsável por coordenar ações estratégicas, incluindo atentados contra agentes públicos. Os denunciados são Victor Hugo da Silva, Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, Sérgio Garcia da Silva e Adilson Audinir Oliveira Junior.

Vigilância coordenada

Victor Hugo teria monitorado Medina em Presidente Venceslau (SP), enquanto Wellison receberia os dados e os repassaria à cúpula da facção. Sérgio seria responsável por levantar informações sobre a rotina de Gakiya em Presidente Prudente (SP), e Adilson teria auxiliado na exclusão de diálogos e na destruição de vestígios digitais.

Wellison e Sérgio estão presos na Penitenciária de Avaré I por outros processos relacionados ao tráfico de drogas. Victor Hugo e Adilson respondem em liberdade, mas o MP-SP pediu a prisão preventiva dos dois.

Segundo a denúncia, a investigação encontrou mensagens, registros de geolocalização, fotografias, vídeos e pesquisas sobre veículos. O plano foi descoberto após a prisão de cinco investigados, entre julho e setembro de 2025, e a apreensão de seus celulares.

Os promotores não denunciaram o grupo por ameaça porque, conforme a acusação, o crime não ocorreu de forma direta contra as vítimas. Neste momento, os fatos foram enquadrados como integração de organização criminosa armada.