Notícias

Crise entre Brasil e Argentina ganha novo capítulo com denúncia do PT contra Milei

O Partido dos Trabalhadores apresentou uma denúncia à Justiça Eleitoral para que investigue as circunstâncias da viagem do presidente argentino a São Paulo, em meio à tensão diplomática entre os dois países.
Os presidentes Milei (Argentina) e Lula (Brasil)Gettyimages.ru / Tomas Cuesta/Ton Molina

O PT solicitou à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) que investigue a visita do presidente argentino, Javier Milei, a São Paulo, ocorrida no sábado (25). A informação foi publicada nesta terça-feira (28) pelo jornal O Globo. 

Na capital paulista, o presidente da Argentina, Javier Milei, participou do lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), quando disparou críticas e ofensas contra seu homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

A denúncia foi apresentada pela Federação Brasil de Esperança — que reúne PT, PV e PCdoB — e sustenta que a participação de Milei poderia configurar um caso de "interferência externa indevida" no processo eleitoral brasileiro, cujas eleições presidenciais estão previstas para 4 de outubro. Segundo o documento, a presença do mandatário argentino não foi um episódio isolado nem uma intervenção meramente protocolar.

O partido do presidente Lula pediu que se determine qual foi a natureza jurídica da viagem e quem financiou o deslocamento internacional, a hospedagem, a logística, a segurança e os deslocamentos internos. Também solicitou que se estabeleça se foram utilizados recursos públicos argentinos para uma atividade de caráter partidário no Brasil.

A petição também pede que se investigue se houve utilização de estruturas administrativas do estado de São Paulo para favorecer um ato de campanha, e se houve coordenação entre autoridades brasileiras, funcionários estrangeiros e o PL para organizar a agenda do presidente argentino

Segundo o documento, caso a investigação detecte irregularidades no financiamento da viagem, a Procuradoria-Geral da República (PGR) poderá recorrer a mecanismos de cooperação jurídica internacional para aprofundar as apurações, respeitando as normas diplomáticas e os acordos vigentes.