Paraguaios criticam fala de Lula sobre guerra e acusam presidente de 'distorcer a história'

Declaração do presidente brasileiro em defesa de investimentos militares provocou reação de parlamentares paraguaios, que afirmam que o conflito do século XIX teve causas mais complexas do que a invasão do Brasil pelo Paraguai.

Parlamentares paraguaios acusaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de "distorcer a história" após uma declaração sobre a Guerra da Tríplice Aliança (Guerra do Paraguai) e abriram um novo foco de tensão diplomática entre os dois países.

Em comunicado divulgado no domingo (26), o presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, afirmou que Lula tratou "com demasiada leveza" a "maior tragédia" da história paraguaia, ao chamar o caso de "maior genocídio" do continente.

Também houve críticas de parlamentares da oposição. O deputado Rubén Rubin subiu o tom das críticas. Ele afirmou que o presidente brasileiro tenta "distorcer" a história do conflito e defendeu uma resposta mais firme do Paraguai às declarações.

Guerra do Paraguai

A reação ocorreu após declaração feita por Lula na sexta-feira (24), durante visita à fábrica da Avibras, em Jacareí (SP). Ao defender investimentos nas Forças Armadas e na indústria nacional de defesa, o presidente afirmou que o conflito teve início quando o Paraguai invadiu o Brasil.

"Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, um belo dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá e, ao mesmo tempo, invadiu o Uruguai e a Argentina. E essa guerra, que parecia que não ia dar em nada, durou cinco anos", disse.

Para parlamentares paraguaios, a fala simplifica um conflito cujas causas são consideradas mais complexas pela historiografia.

Embora a invasão paraguaia da então província de Mato Grosso, em 1864, seja apontada como o estopim da guerra, há o entendimento de que o conflito também foi precedido por disputas na Bacia do Prata e pela intervenção militar do Império do Brasil na guerra civil uruguaia, fatos interpretados pelos paraguaios como ameaça ao equilíbrio de poder regional e ao próprio Paraguai.