Uma pesquisa publicada em 20 de julho pela revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences trouxe uma descoberta surpreendente sobre a cognição animal: macacos e humanos compartilham a mesma intuição geométrica.
O estudo revela que a capacidade de distinguir formas regulares, como ângulos retos e linhas paralelas, de formas irregulares não é uma exclusividade humana, mas uma característica presente em primatas.
Para testar a hipótese, pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon conduziram experimentos com macacos rhesus e babuínos-oliva.
Utilizando telas sensíveis ao toque, os animais precisavam realizar jogos de combinação de formas bidimensionais em troca de frutas.
O desafio era complexo, pois os objetos não possuíam distinções óbvias de cor, tamanho ou contorno, exigindo o reconhecimento de padrões puramente geométricos.
Os resultados foram comparados com testes realizados em grupos de 58 crianças e 79 adultos, incluindo comunidades indígenas da Bolívia.
A análise demonstrou uma continuidade clara: macacos e humanos – crianças e adultos – processam relações geométricas de maneira essencialmente semelhante.
Segundo a neurocientista Jessica Cantlon, uma das autoras do trabalho, o achado sugere que essas percepções sobre forma e espaço fazem parte da arquitetura básica da mente dos primatas.
O estudo levanta ainda uma nova perspectiva pedagógica, indicando que o ensino da geometria pode ser mais eficaz se baseado nessas intuições evolutivas profundas.