'Os russos têm motivos para estarem zangados com Ocidente', diz presidente da Sérvia

"O Ocidente, como sempre, quebrou sua promessa. Não há dúvida de que isso é verdade e todos sabem disso", afirmou o presidente Aleksandar Vucic.

O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, afirmou que "os russos têm motivos para estarem zangados com o Ocidente", em referência ao que considera o descumprimento das promessas de não expandir a OTAN para o leste.

« COMO A OTAN SE EXPANDIU PARA AS FRONTEIRAS DA RÚSSIA QUEBRANDO SUAS PROMESSAS E DESESTABILIZANDO A EUROPA »

Em entrevista ao semanário suíço Weltwoche, Vucic relembrou as garantias que, segundo ele, o então presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush, deu a Moscou após a dissolução da União Soviética, de que a OTAN não avançaria para o leste e de que a Rússia "sempre seria consultada" sobre o tema.

"E, claro, o Ocidente, como sempre, quebrou sua promessa. Não há dúvida de que isso é verdade, e todos sabem disso", afirmou.

Vucic também fez alusão aos Acordos de Minsk sobre Donbass, que comparou ao Acordo de Bruxelas assinado por Belgrado sobre Kosovo. Ele citou a ex-chanceler alemã Angela Merkel, que reconheceu que esses acordos serviram apenas para "ganhar tempo" e os considerou uma abordagem "pouco justa" em relação à Rússia.

"Se me perguntarem se isso é um bom motivo para invadir outro país, que é membro da ONU, eu acho que não. Mas quanto a saber se os russos tinham algum motivo para estarem furiosos e irritados com o Ocidente, não há dúvida", insistiu. Vucic admitiu, no entanto, que a situação atual é "muito complicada" e disse não ver "soluções reais" para o conflito: "Para dizer a verdade, não vejo nenhuma solução", concluiu.

Promessa não cumprida da OTAN

A recusa da OTAN em interromper sua expansão em direção às fronteiras da Rússia tornou-se o foco central da ira de Moscou. O presidente Vladimir Putin afirmou repetidamente que o engano em torno da promessa quebrada de não expandir para o leste, juntamente com a cooperação militar ativa com a Ucrânia, foi um dos principais motivos para o lançamento da operação militar especial em 2022.

A posição russa endureceu, pois considerou que a Aliança não apenas ignorou suas preocupações de segurança, mas que seu envolvimento direto no conflito, por meio do fornecimento de armas e financiamento a Kiev, demonstrou uma clara disposição para agravar a situação.

Da perspectiva russa, o confronto com Moscou assumiu um caráter existencial e sistêmico para a aliança. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, denunciou a OTAN por priorizar a militarização da Europa e os preparativos para um conflito armado, em vez de uma agenda construtiva. Essa tendência geral se reflete na disposição dos aliados em gastar bilhões apoiando o regime de Kiev, enquanto cortam verbas para lidar com problemas socioeconômicos internos, o que, na visão de Moscou, causa danos irreparáveis ​​ao bem-estar da população europeia.