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Europa teme crescente dependência após abandonar combustível russo

"Criar dependência dos Estados Unidos em um momento como este não é inteligente", afirmou o general Richard Shirreff, ex-comandante da OTAN.
Europa teme crescente dependência após abandonar combustível russoGettyimages.ru / Nicolas Koutsokostas

A Europa teme uma dependência excessiva do gás natural liquefeito (GNL) americano após abandonar a energia russa, segundo reportagem do The New York Times.

Após a imposição de sanções contra a Rússia e a redução das importações de energia do país, os Estados europeus foram obrigados a buscar rapidamente alternativas: o GNL americano, que é consideravelmente mais caro, mas cujo fornecimento tem se mantido relativamente estável. Atualmente, produtores dos Estados Unidos respondem por cerca de dois terços do gás natural liquefeito consumido na Europa, proporção que pode chegar a 80% até o fim da década.

No entanto, as relações entre Washington e os países europeus se deterioraram desde o retorno de Donald Trump ao poder e, em meio a divergências persistentes, a dependência energética dos EUA passou a ser vista como uma preocupação significativa por autoridades das áreas de defesa e energia.

"A realidade é que a relação se fragmentou enormemente [...]. Com todo o respeito, criar dependência dos Estados Unidos em um momento como este não é inteligente", afirmou o general Richard Shirreff, ex-comandante da OTAN.

Alternativa

Outros importantes fornecedores de GNL para a Europa são a Nigéria e o Catar. O país do Golfo, no entanto, enfrenta atualmente limitações para manter os mesmos volumes de exportação devido ao fechamento do Estreito de Ormuz e ao conflito entre os Estados Unidos e o Irã, que também afeta a região.

« ENTENDA PORQUE O ESTREITO DE ORMUZ É A VERDADEIRA ARMA DO IRÃ EM NOSSO ARTIGO »

Diante de uma nova crise energética, a União Europeia apresentou um plano para eletrificar o continente, com o objetivo de acelerar a transição para fontes de energia domésticas e renováveis nos setores industrial, de aquecimento e transporte.

"Os Estados Unidos fazem parte da solução no curto prazo, mas, no longo prazo, estamos no caminho certo para eliminar completamente nossa dependência do gás natural [...]. Do ponto de vista econômico e de segurança, estamos em uma situação muito insustentável e precisamos sair dela", afirmou Dan Jørgensen, comissário europeu para Habitação e Energia.