Rússia detona mudanças na estrutura da ONU: 'Não tem nada de bom para o futuro'

Moscou criticou a recondução de Volker Türk ao comando do Alto Comissariado de Direitos Humanos antes da troca de secretário-geral e afirmou que a decisão compromete a integridade institucional da ONU.

A diplomacia russa criticou nesta sexta-feira (24) a recondução de Volker Türk ao cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos até outubro de 2030. Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o representante permanente adjunto russo, Dmitry Chumakov, afirmou que a decisão "não tem nada de bom para o futuro da ONU".

Segundo o diplomata, a nomeação por mais quatro anos, às vésperas do fim do mandato do secretário-geral António Guterres, em 31 de dezembro de 2026, é inédita e impede que o futuro chefe da organização escolha sua própria equipe de liderança.

Falta de representatividade

Moscou informou que apresentou uma proposta para prorrogar o mandato de Türk apenas até o fim de 2026, sincronizando-o com o de Guterres, mas a iniciativa foi rejeitada. Chumakov destacou que poucas delegações votaram contra a proposta russa, ironizando o apoio recebido por Türk: '71 delegações — esse é seu mandato', disparou.

O representante também acusou o Alto Comissariado de atuar com parcialidade e ignorar denúncias apresentadas pela Rússia. "Como disse o presidente Putin, as estruturas da ONU tornaram-se cegas e surdas a tais violações", afirmou.

Chumakov ainda criticou a falta de rotatividade geográfica na chefia do órgão, argumentando que representantes da África e da Ásia ocuparam o cargo apenas uma vez cada, em desacordo, segundo Moscou, com os princípios de equilíbrio regional defendidos pela Assembleia Geral.