A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi questionada nesta quinta-feira (23) sobre a assimetria da política nuclear norte-americana no Oriente Médio. A pergunta era por que Washington endossa um programa nuclear civil para a Arábia Saudita enquanto nega o mesmo direito ao Irã.
A resposta de Leavitt evitou o confronto conceitual para se apoiar em termos comerciais e estratégicos.
A funcionária da Casa Branca destacou o benefício direto aos EUA das relações com os sauditas. Segundo ela, o entendimento discutido até agora "dá acesso prioritário a empresas americanas no programa nuclear saudita", o que, em suas palavras, "vai beneficiar, em última instância, a indústria e as cadeias de suprimento americanas".
Segundo a porta-voz, o acordo com Riad "ainda está sendo elaborado" e só será finalizado sob a condição, anunciada pelo próprio Trump em rede social na manhã da entrevista, de que a Arábia Saudita adira aos Acordos de Abraão, que envolvem temas como o reconhecimento do Estado de Israel pelos sauditas.
Não houve, na justificativa oficial de Leavitt, qualquer menção a critérios de não proliferação, salvaguardas técnicas ou histórico de cooperação com agências internacionais, argumentos tradicionalmente usados para diferenciar programas nucleares "aceitáveis" de "inaceitáveis".
- Os Acordos de Abraão são uma série de tratados intermediados por Washington em 2020 que buscam estabelecer relações diplomáticas, comerciais e de segurança entre Israel e diversos países árabes.