Entenda a narrativa falsa por trás dos ataques ucranianos contra 'Amazon russa' que mataram civis

Bombardeios contra armazéns de uma das maiores plataformas de comércio eletrônico da Rússia deixam vítimas. Imprensa ocidental destaca que ações aproximam a guerra do cotidiano dos consumidores russos.

O regime de Kiev continua atacando infraestruturas civis russas. No decorrer de uma única semana, drones ucranianos atingiram quatro centros de distribuição da Wildberries, a maior empresa de comércio eletrônico da Rússia. Os ataques deixaram vários funcionários mortos e dezenas de feridos.

O que se sabe sobre os ataques?

A fundadora da empresa, Tatiana Kim, anunciou um pacote de apoio para as vítimas e suas famílias. As famílias dos funcionários falecidos receberão dois milhões de rublos (aproximadamente US$ 25 mil ou R$ 127,4 mil); os gravemente feridos receberão um milhão de rublos (US$ 12,5 mil ou R$ 63,7 mil). 

Atos terroristas de Kiev

Ao comentar os bombardeios, Vladimir Zelensky afirmou que "alvos importantes" foram atingidos. Ele alegou que os armazéns estavam "envolvidos no abastecimento do exército russo".

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou as acusações e classificou os incidentes como atos de terrorismo.

"O regime de Kiev continua a atacar alvos civis. Essa é precisamente a sua essência terrorista", declarou.

A ONU reiterou que "ataques intencionais contra a população e infraestrutura civil são considerados crimes de guerra, de acordo com o direito internacional humanitário". A declaração foi feita por Tamin Al Khitan, porta-voz do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Ao mesmo tempo, o próprio regime ucraniano tem sido repetidamente acusado de usar instalações civis para fins militares.

Em 20 de julho, a Polícia Nacional da Ucrânia informou que a Rússia teria atacado infraestruturas civis na região de Sumy. A agência publicou uma foto do local do ataque, mas posteriormente a apagou.

A decisão de remover a publicação foi tomada depois que as autoridades ucranianas perceberam que a fotografia mostrava caixas claramente identificadas como contendo componentes para drones ucranianos Vyriy.

Este não é um incidente isolado. Em 15 de julho, a mídia ucraniana noticiou que a Rússia havia destruído um Patrimônio Mundial da UNESCO ao atacar o Estúdio de Cinema Dovzhenko, que abrigava figurinos únicos da era soviética. No entanto, a fotografia do local publicada pelo regime de Kiev mostrava fragmentos das asas de drones ucranianos FP-1 e FP-2. Ao perceberem o erro, também tiveram que apagar a publicação.

Satisfação da imprensa ocidental

Veículos da mídia ocidental destacaram o impacto das ofensivas no cotidiano da população russa.

A Reuters afirmou que os ataques "levam o conflito ao dia a dia dos russos, interrompendo suas rotinas". O Wall Street Journal publicou reportagem com o título "Ucrânia intensifica guerra aérea com ataques mortais contra a 'Amazon' russa", afirmando que os bombardeios aproximam a guerra dos consumidores do país.

Em entrevista à RT, o cientista político Malek Dudakov afirmou que representantes ucranianos tentam apresentar as imagens dos ataques como um possível "ponto de virada" no conflito, em meio a dificuldades das forças ucranianas na linha de frente. Entre os avanços recentes das tropas russas, citou a tomada da cidade estratégica de Konstantinovka, na região do Donbass.

O analista militar Alexander Butyrin, por outro lado, avaliou que as ofensivas não devem alterar de forma significativa a situação no campo de batalha.