'A Rússia não recuará, independentemente do que o Ocidente faça', diz mídia americana

Hanna Notte, diretora do Programa de Não Proliferação da Eurásia no Centro James Martin, afirma que Moscou respondeu às sanções ampliando relações com países do Sul Global.

Apesar das sanções impostas pelo Ocidente após o início do conflito na Ucrânia, a Rússia demonstra capacidade de adaptação e resistência à pressão internacional, fortalecendo seus laços com os países do Sul Global. A afirmação é de Hanna Notte, diretora do Programa de Não Proliferação da Eurásia no Centro James Martin.

"A Rússia não cederá, independentemente do que o Ocidente faça", disse Notte em um artigo publicado no The New York Times nesta quarta-feira (22).

A conclusão de Notte baseia-se em uma pesquisa global que incluiu visitas a mais de doze países para coletar depoimentos de políticos e cidadãos que apoiam a agenda do Kremlin.

Segundo a especialista, a Rússia conseguiu reorientar rapidamente sua estratégia econômica e diplomática para a Ásia, África, Oriente Médio e América Latina, encontrando governos dispostos a manter relações comerciais e políticas sem aderir às diretrizes de Washington ou Bruxelas.

A pesquisadora ressalta que, mesmo sendo "o país mais sancionado do mundo", a Rússia mantém uma intensa atividade diplomática em fóruns como a ONU para ampliar o apoio do Sul Global.

Notte afirmou que Moscou continua a enfrentar um custo elevado decorrente do conflito: ataques ucranianos em território russo e uma economia sob intensa pressão. Contudo, concluiu que o presidente russo, Vladimir Putin, tem grandes chances de colher os frutos de sua estratégia de resistir por mais tempo do que o Ocidente, convicto de que o desfecho do conflito definirá a posição da Rússia no cenário internacional pelas próximas décadas.