Único país atacado por bombas atômicas avalia rever compromisso antinuclear

O ministro da Defesa japonês afirma que mudanças no cenário de segurança exigem discutir o tema "sem tabus"; governo avalia revisar os Três Princípios Não Nucleares, em vigor desde 1967.

O ministro da Defesa do Japão, Shinjiro Koizumi, defendeu que o país promova um debate aberto e franco sobre o papel das armas nucleares.

Tradicionalmente, autoridades de alto escalão evitam se pronunciar publicamente sobre o tema, que segue sensível mais de 80 anos após os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki — os únicos ataques nucleares já sofridos por um país.

O governo avalia atualizar documentos de sua política de segurança. Entre as mudanças em discussão está uma possível revisão dos Três Princípios Não Nucleares, em vigor desde 1967, que proíbem o Japão de produzir, possuir ou permitir a presença de armas nucleares em seu território. Para Koizumi, embora o tema seja delicado, é inevitável.

"Considerando esse cenário, acredito que precisamos nos empenhar ainda mais para explicar que o ambiente de segurança do Japão exige que todas as políticas sejam discutidas com senso de urgência, sem tabus", afirmou o ministro.

As declarações de Koizumi ocorrem após uma assessora da primeira-ministra Sanae Takaichi provocar controvérsia, em dezembro, ao manifestar apoio à posse de armas nucleares pelo Japão.

A própria premiê defende mudanças na política de defesa. Ela afirma que os princípios de não produzir e não possuir armas nucleares devem ser preservados, mas considera "irrealista" manter a proibição de receber armamentos nucleares caso os Estados Unidos continuem a garantir sua proteção por meio da dissuasão estendida.

Embora um painel de especialistas já tenha tratado, com cautela, da possibilidade de revisar os princípios, Koizumi evitou adotar uma posição definitiva. Em entrevista, ele criticou parlamentares da oposição que, segundo ele, "insistem que certos assuntos não devem ser discutidos".

"A preocupação em preservar o que existe hoje parece ter prioridade sobre a proteção efetiva do Japão", afirmou.