
Casa Branca teme que excesso de sanções à Rússia enfraqueça domínio do dólar — NYT

A Casa Branca avalia com cautela a possibilidade de que o uso excessivo de sanções contra a Rússia incentive mais países a reduzir sua dependência do dólar, enfraquecendo a posição da moeda americana nas finanças globais, informou o The New York Times no sábado (18).

Um projeto de lei que prevê o endurecimento das sanções contra Moscou criou um impasse dentro do governo dos Estados Unidos. Enquanto parlamentares pressionam por uma escalada da guerra financeira, o Executivo teme que o uso intensivo desse instrumento acabe comprometendo a supremacia do dólar. A proposta, idealizada pelo falecido senador Lindsey Graham*, prevê sanções obrigatórias contra a Rússia e seus aliados, além da possibilidade de impor tarifas a países que comprarem energia russa.
A administração do presidente Donald Trump também demonstra preocupação com um possível movimento global de substituição do dólar, impulsionado pelo avanço do yuan chinês e das criptomoedas. Um estudo recente do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica (NBER) aponta que bancos de países como Rússia, Belarus, Quirguistão e Mianmar, todos atingidos por pesadas sanções americanas, ampliaram significativamente o uso da moeda chinesa em suas operações.
"As medidas mais eficazes são agressivas, específicas e têm prazo determinado para produzir resultados concretos", afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, durante um discurso em Paris, em maio. "Sanções mantidas por anos, sem mudanças visíveis e concretas no comportamento do alvo, podem gerar impactos de longo prazo quase impossíveis de prever", acrescentou.
Washington teme avanço de alternativas ao dólar
Nas últimas semanas, o Departamento do Tesouro vem retirando discretamente nomes da lista de sanções dos EUA, excluindo pessoas falecidas, embarcações desativadas e indivíduos que já não representam ameaça à segurança nacional americana.
Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), 57% das reservas cambiais globais ainda estão denominadas em dólares. "O domínio do dólar é essencial", afirmou Bessent à CNBC em junho. O governo Trump também estuda ampliar suas linhas de swap cambial com outros países para incentivar um uso maior da moeda americana.
Para Rachel Ziemba, pesquisadora do Centro para uma Nova Segurança Americana (CNAS), a redução do programa de sanções dificilmente será suficiente para impedir uma tendência de longo prazo de afastamento do dólar. "O governo ainda não apresentou uma estratégia clara para reduzir o uso de sistemas de pagamento alternativos à moeda americana", alertou.
- A Rússia, por sua vez, sustenta há anos que sua economia tem capacidade para resistir às sanções ocidentais e afirma que essas medidas acabam funcionando como um "bumerangue", provocando efeitos negativos também sobre os países que as impõem.

