Preso político na ditadura diz que Fidel foi 'exemplo' e chama democracia dos EUA de 'enganação'

Manoel Cyrillo afirma, em entrevista à RT, que o líder cubano inspirou sua geração, tece críticas aos EUA e elogia o modelo político de Cuba e da China e relembra formas de resistência durante os quase dez anos em que esteve preso na ditadura.

O ex-integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), que foi preso político durante a ditadura militar (1964-1985), Manoel Cyrillo afirmou que Fidel Castro foi a principal referência política de sua geração e classificou o líder da Revolução Cubana como um exemplo de "honradez, firmeza, lucidez e coragem".

Em entrevista à jornalista Milena Portella, correspondente da RT no Brasil, o ex-militante disse que Castro era "um grande líder revolucionário" e que os jovens da época buscavam seguir seu exemplo.

Ao comentar a relação entre Cuba e os Estados Unidos, Cyrillo afirmou que a ilha representou uma afronta para Washington após a Revolução Cubana. Segundo ele, Cuba deixou de ser um "protetorado americano" e resistiu às tentativas de invasão e ao isolamento imposto pelos EUA. "Era uma afronta que eles nunca engoliram", declarou.

Democracia na América

O ex-militante também criticou o sistema político norte-americano, afirmando que a alternância entre democratas e republicanos não representa uma escolha efetiva. "A famosa democracia americana, que só tem dois partidos", disse.

Em seguida, elogiou o sistema chinês. "Se é para ser assim, eu prefiro a China, que só tem um, que é bem melhor", afirmou, acrescentando que os resultados econômicos do país asiático demonstram o sucesso desse modelo.

Cyrillo também relembrou sua passagem pelas prisões da ditadura, onde permaneceu por quase dez anos. Em uma ocasião, lembrou, os presos políticos organizaram uma "greve do silêncio" para protestar contra a nomeação de um diretor do Presídio Militar Romão Gomes que, segundo relatou, havia participado de sessões de tortura no DOI-CODI.

"A gente ignorava totalmente a presença dele", afirmou. De acordo com o ex-militante, o diretor deixou o cargo três dias depois do início do protesto.