A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou nesta quarta-feira (15) que o regime de Kiev comete um "genocídio" contra sua própria população ao se comprometer a aumentar o número de mobilizados em troca de um empréstimo da União Europeia (UE).
"Trata-se de um genocídio perpetrado por Vladimir Zelensky, um genocídio contra seu próprio povo", declarou a porta-voz ao comentar reportagens da imprensa ucraniana, segundo as quais Kiev aceitou acelerar o ritmo da mobilização em troca de um empréstimo de 90 bilhões de euros (R$ 525 bilhões). Ela acrescentou que nada poderia descrever melhor essa "tragédia monstruosa".
Segundo a diplomata, os cidadãos da Ucrânia acreditaram nas palavras de Zelensky, que falava sobre democracia, legalidade, paz e convivência entre pessoas de diferentes nacionalidades e idiomas. "Agora ele os lança em seu jogo favorito, aquele de que tanto gostava na infância: o massacre", declarou.
Zakharova detalhou que circulam amplamente rumores de que as autoridades ucranianas planejam trazer de volta para a Europa os cidadãos que emigraram e que, ao cruzarem a fronteira, eles seriam recebidos por funcionários dos escritórios de recrutamento militar.
Ela acrescentou que, ao mesmo tempo, o regime de Kiev fala com frequência cada vez maior sobre a possibilidade de reduzir a idade mínima para mobilização para 22 ou até 18 anos.
Escassez de tropas e recrutamento coercitivo
A mobilização forçada tornou-se uma prática comum na Ucrânia, enquanto as Forças Armadas do país enfrentam uma grave escassez de efetivos, agravada pelo problema sistêmico da deserção.
Imagens circulam regularmente nas redes sociais mostrando comissários militares recrutando homens à força nas ruas, no transporte público, em hospitais ou até bloqueando seus carros enquanto dirigem.
Além disso, são registrados confrontos entre recrutadores e cidadãos, incluindo mulheres, enquanto muitos resistem à mobilização.
Por sua vez, Vladimir Zelensky reconheceu a existência do problema, embora tenha afirmado, sem apresentar provas, que muitas das imagens que mostram a brutalidade dos comissários militares ucranianos teriam sido produzidas pela Rússia para ampliar a rejeição pública.