Misteriosa causa da morte da musa de 'O Nascimento de Vênus' é revelada

A pesquisa, conduzida por especialistas da Queen Mary University of London, da Universidade Campus Bio-Medico de Roma e da Universidade da Califórnia, revisita uma hipótese apresentada em 2019.

Mais de 500 anos após a morte de Simonetta Vespucci, modelo para "O Nascimento de Vênus" de Sandro Botticelli, um novo estudo concluiu que a causa mais provável de sua morte, aos 23 anos, foi um acidente vascular cerebral (AVC) induzido por um tumor, causado por um adenoma hipofisário de rápida expansão, e não tuberculose, como se acreditava anteriormente.

A pesquisa, conduzida por especialistas da Queen Mary University of London, da Universidade Campus Bio-Medico de Roma e da Universidade da Califórnia, revisita uma hipótese apresentada em 2019 e a reforça com documentos históricos sobre os últimos dias de Vespucci, que faleceu em abril de 1476.

Os autores observaram que cartas entre Piero Vespucci, um membro da família de seu marido, e Lorenzo de' Medici, governante de Florença, descrevem como a jovem desmaiou durante um baile e apresentou fortes dores de cabeça, alucinações, vômitos, febre alta e permaneceu em um quarto escuro — sintomas compatíveis com um tumor hipofisário de rápida expansão.

Os pesquisadores também afirmam que um retrato alegórico de Botticelli retrata Simonetta secretando leite materno, apesar de nunca ter tido filhos, além de mudanças progressivas em suas feições.

Segundo a equipe, essas características são compatíveis com um adenoma secretor de prolactina e hormônio do crescimento. O diagnóstico foi corroborado por meio de um algoritmo de reconhecimento facial baseado em aprendizagem profunda, aplicado a cinco retratos da modelo.

O estudo acrescenta que o estrabismo característico retratado por Botticelli em "O Nascimento de Vênus", pintado anos após a morte de Vespucci, também pode ter sido uma consequência do tumor.

Isso também sugere que a apoplexia tumoral pode ter sido desencadeada por dois fatores possíveis: o impacto físico dos saltos durante uma dança renascentista ou um possível encontro violento com Afonso II de Aragão, Duque da Calábria.