A Polícia Federal (PF) concluiu nesta terça-feira (14) a primeira investigação da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas por suspeita de participação em um esquema nacional de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS),informou a Folha de S.Paulo. O relatório foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso.
Entre os indiciados estão o ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, o ex-procurador-geral do instituto, Vinícius de Oliveira Filho, o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e o presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes.
A Conafer está entre as entidades associativas investigadas por suspeita de participação em desvios realizados em pagamentos do INSS entre 2019 e 2024.
Descontos indevidos
Segundo a PF, o esquema consistia na cobrança de valores mensais de aposentados e pensionistas como se eles fossem filiados a associações de aposentados, embora não tivessem aderido às entidades nem autorizado os descontos.
A investigação teve início em 2023, na Controladoria-Geral da União (CGU), em âmbito administrativo. Em 2024, após a identificação de indícios de crimes, a Polícia Federal foi acionada para conduzir a apuração criminal.
De acordo com estimativas da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União, considerando todas as associações e sindicatos investigados, as fraudes podem ter alcançado R$ 6,3 bilhões e afetado milhares de aposentados e pensionistas do INSS.