O Centro de Ex-Combatentes das Ilhas Malvinas (CECIM) de La Plata divulgou, na segunda-feira (13), um comunicado dirigido à seleção argentina de futebol. A iniciativa surgiu na véspera da partida semifinal da Copa do Mundo contra a Inglaterra, marcada para quarta-feira (15).
Sob o título "Jogue com o coração em campo", a organização de veteranos da guerra de 1982 dirigiu-se aos jogadores com uma mensagem que combina o orgulho pelo futebol e a memória histórica, não pedindo nada mais do que jogar honestamente.
O texto reconhece o orgulho de ver a equipe competir "ao limite, sem jamais desistir" e destaca que a seleção nacional alcançou algo que antes parecia impossível: restaurar o senso de pertencimento coletivo aos argentinos. Apesar da magnitude do comprometimento, insistem em diminuir as expectativas em relação ao adversário, pois "ainda é apenas uma partida de futebol. Nada mais, nada menos".
Nesse sentido, o único pedido dos veteranos é que joguem "com o coração na manga", pois não há pendências com os ingleses. "Diego já nos vingou", acrescentam, relembrando a vingança simbólica que a vitória da Argentina por 2 a 1 representou para o país na Copa do Mundo de 1986, no México.
A organização enfatiza que entende que esta partida contra a Inglaterra não é um jogo qualquer para os veteranos, mas opta por não sobrecarregar os jogadores com esse peso adicional. "O resultado de uma partida não os definirá. Eles já conquistaram a medalha de bronze e o amor eterno do povo", concluem.
"Esporte não é guerra"
A declaração surge após a Federação de Veteranos da Guerra de 2 de Abril ter se manifestado contra a transformação da semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Inglaterra em uma revanche da Guerra das Malvinas. Em um comunicado à imprensa, a organização enfatizou que "esporte não é guerra, não é vingança, é apenas uma partida".
Além disso, a federação pediu aos torcedores que apoiassem a seleção nacional com paixão, mas sem recorrer a expressões de ódio ou xenofobia contra o time adversário. Propôs também que o cântico "Malvinas Argentinas!" se tornasse um lema de memória e respeito aos 649 argentinos que morreram durante a guerra.