EUA devolvem US$ 81 bilhões a empresas após Justiça considerar tarifas de Trump ilegais

Reembolsos a empresas já somam mais de R$ 410 bilhões no ano fiscal de 2026. Maior parte dos pagamentos ocorreu após decisão judicial que invalidou parte da política tarifária do presidente.

Os Estados Unidos já devolveram cerca de 81 bilhões de dólares (cerca de R$ 410 bilhões) em taxas cobradas de importadores após a Suprema Corte considerar ilegais, em fevereiro, astarifas globais mais amplas impostas pelo presidente Donald Trump.

Os reembolsos começaram a ser pagos em maio e já representam uma forte mudança na arrecadação do governo federal. Em junho, o déficit orçamentário norte-americano chegou na casa dos 120 bilhões de dólares (R$ 611 bilhões), conforme apuração da agência Reuters publicada na segunda-feira (13).

Segundo os dados, o total devolvido no atual ano fiscal americano, iniciado em outubro de 2025, contrasta com os cerca de US$ 5 bilhões (R$ 25,4 bilhões) reembolsados em todo o exercício anterior. A decisão da Suprema Corte obrigou o governo a restituir os valores pagos por empresas afetadas pelas tarifas consideradas ilegais.

A maior parte dos pagamentos ocorreu entre maio e junho, quando foram devolvidos aproximadamente 71 bilhões de dólares (R$ 361 bilhões), o equivalente a cerca de 42% dos  166 bilhões de dólares (R$ 845 bilhões) em tarifas sujeitas a reembolso.

Orçamento em xeque

O cenário contrasta com o do ano passado, quando as tarifas de Trump ainda estavam sendo ampliadas. Na época, o Tesouro dos EUA registrou arrecadação líquida de 26,6 bilhões de dólares (R$ 135,4 bilhões) com direitos aduaneiros, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que os resultados orçamentários demonstravam que o país estava "colhendo os frutos" da política tarifária.

Enquanto o governo recorre da decisão, um juiz federal advertiu que o recurso apresentado pela administração Trump está atrasando a devolução integral dos valores considerados ilegais, conforme reportagem do portal Sky News. Paralelamente, a tarifa global temporária de 10% atualmente em vigor deve expirar ainda neste mês.