O escritor e analista Jay Dyer, conhecido por seus estudos sobre Hollywood e geopolítica, falou nesta segunda-feira (13) sobre o papel da CIA na indústria cinematográfica.
"Quanto mais você se aprofunda no assunto, mais percebe, por exemplo, que a CIA sempre foi consultada sobre filmes, desde os primórdios, mesmo antes de existirem atores e atrizes famosos agindo como espiões", disse ele em entrevista ao jornalista americano Tucker Carlson.
Dyer afirmou que existe um ramo "altamente especializado" dedicado a analisar como usar a ficção para condicionar o público, desde os efeitos dos primeiros filmes de terror até o uso de "mensagens subliminares". Ele explicou que, por razões legais, muitos ex-agentes não podiam revelar o que haviam feito, mas "podiam escrever romances de ficção que contavam essas histórias indiretamente", como William Somerset Maugham, Graham Greene ou Ian Fleming.
Em sua análise, ele apontou que muitas obras incorporam espiões ou manipulação da opinião pública em seus enredos, e princípios que "parecem coincidir com a realidade". "Isso, de certa forma, borra a linha entre realidade e ficção, às vezes intencionalmente, porque o público vê essas coisas e elas ficam gravadas em seu subconsciente", acrescentou.
Dyer insistiu que o espectador muitas vezes não percebe esse elemento, usando o filme "Argo" como exemplo: "as pessoas não percebem que estão assistindo a propaganda, mas estão assistindo a propaganda."