O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), criticou nesta segunda-feira (13) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu por 90 dias suas visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a medida é "completamente desproporcional" e teria motivação política.
Na avaliação do senador, o prazo imposto pelo ministro tem motivação política por terminar apenas após o primeiro turno das eleições.
"O que Alexandre de Moraes faz agora é claramente deixar meu pai incomunicável. (...) Só poderei falar com o presidente Bolsonaro após o primeiro turno das eleições deste ano. Alguém acha coincidência? Qual o critério para ele estabelecer 90 dias?", questionou.
Revogação da domiciliar
Flávio também contestou a decisão que determinou esclarecimentos sobre a divulgação de uma carta atribuída ao ex-presidente e publicada por ele nas redes sociais. Segundo o parlamentar, o documento já havia sido tornado público em outras ocasiões.
"Essa é a quinta carta que o presidente Bolsonaro escreve e é tornada pública. (...) Alexandre de Moraes quer uma desculpinha para tirar o meu pai da domiciliar que ele se encontra. Não vamos ser ingênuos", afirmou.
O senador ainda disse que o ministro estaria tentando responsabilizá-lo por uma eventual revogação da prisão domiciliar do ex-presidente, condenado a 27 anos e três meses por ligações com a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro de 2023.
"Ele quer arrumar qualquer desculpa para me trazer sofrimento. Para que muitas pessoas pensem de verdade que um filho fez alguma coisa para o pai sair da domiciliar. É uma crueldade", declarou.
A decisão de Moraes, além de suspender as visitas de Flávio por 90 dias, determinou que a defesa de Bolsonaro apresente, em até 48 horas, esclarecimentos sobre a divulgação da carta. Segundo o magistrado, a publicação pode representar descumprimento das medidas impostas ao ex-presidente e, em tese, configurar campanha eleitoral antecipada.