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Guerra Fria, casamento, separação e amputação: a curiosa história dos crocodilos de Fidel Castro

O líder cubano deu um casal de crocodilos, Castro e Hillary, a um cosmonauta russo. Ele tentou criá-los em casa, em Moscou, mas foi quase o fim de seu casamento.
Guerra Fria, casamento, separação e amputação: a curiosa história dos crocodilos de Fidel CastroGettyimages.ru / John Elk III

Um crocodilo foi presenteado pelo líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, ao cosmonauta soviético Vladimir Shatalov na década de 1970. Décadas depois, em 2019, o animal voltou a chamar atenção após atacar gravemente um homem no Aquário de Skansen, em Estocolmo, na Suécia, conforme a imprensa local.

A história do réptil remonta aos anos 1970, quando Fidel presentou Shatalov com um casal de filhotes de crocodilo-cubano — uma das espécies mais raras e agressivas do mundo — como um gesto de aproximação diplomática entre Cuba e a União Soviética.

O cosmonauta levou os animais para Moscou e tentou criá-los dentro de seu próprio apartamento. No entanto, conforme eles cresciam rapidamente, a convivência se tornou impossível.

O últimato

Diante de um ultimato de sua esposa, conforme a agência Reuters, Shatalov transferiu os animais para o Zoológico de Moscou. Por falta de instalações adequadas para répteis tropicais na capital russa, a dupla acabou sendo doada ao Aquário de Skansen, na Suécia, em 1981, onde foram batizados de Castro e Hillary.

Acidente na Suécia

Décadas depois, o macho Castro voltou ao noticiário local após o trágico incidente de agosto de 2019. O ataque ocorreu durante uma tradicional festa sueca realizada nas dependências do aquário.

Enquanto se preparava para dar um discurso próximo à área restrita da instalação, Lars Liedegren, de 79 anos, subiu em uma estrutura e estendeu o braço por cima da barreira protetora de vidro.

Castro deu um salto preciso e abocanhou o braço do idoso por cerca de 10 segundos. Devido à gravidade das lesões e a infecções posteriores, os médicos foram forçados a amputar o braço de Liedegren acima do cotovelo semanas depois.

Castro e Hillary

Apesar do ataque, o casal de crocodilos de Fidel desempenha um papel ecológico para a sobrevivência de sua própria espécie. Como o zoológico sueco conseguiu manter a linhagem de Castro e Hillary perfeitamente pura — sem cruzamento com o crocodilo-americano, que é o maior risco de extinção da espécie —, eles se tornaram peças-chave na conservação global.

Em 2015, em uma inédita "operação retorno", o aquário sueco enviou 10 filhotes saudáveis gerados pelo casal de volta a Cuba. Os animais foram introduzidos no Parque Nacional Ciénaga de Zapata para renovar a genética da população selvagem e ajudar a salvar o crocodilo-cubano da extinção.