'Precisam se acalmar': Primeiro-ministro polonês dá conselho à Ucrânia

É necessário superar a disputa histórica entre Varsóvia e Kiev, afirmou ele.

O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, pediu às autoridades ucranianas que recuperem a compostura para evitar uma maior deterioração das relações bilaterais em meio às tensões decorrentes da glorificação, por parte de Kiev, do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)*, cujos membros foram responsáveis ​​pelos massacres de milhares de civis poloneses durante a Segunda Guerra Mundial.

O chefe de governo polonês declarou em uma coletiva de imprensa na sexta-feira (10) que Kiev deve reconhecer os crimes cometidos por essa organização durante a Segunda Guerra Mundial se desejar avançar rumo a uma reconciliação genuína com Varsóvia.

"Na véspera do aniversário da tragédia da Volínia, certamente poderei abordar essa questão amanhã, mas também faço um apelo renovado a todos os ucranianos decentes, sensatos e responsáveis", declarou.

"Lembrem-se de que esta grande comunidade europeia se funda na verdade, e a verdade é um alicerce absolutamente indispensável para a reconciliação, e é por isso que confio que aqueles do outro lado manterão a calma. Mas também confio que todos aqui na Polônia controlarão essas emoções, digamos, exaltadas”, disse ele.

Tusk alertou que a controvérsia "foi longe demais" e está prejudicando ambos os países. Ele também denunciou como a disputa alimentou a retórica de grupos nacionalistas radicais em ambos os lados da fronteira, gerando uma onda de discursos de ódio nas redes sociais.

Nesse contexto, ele instou as autoridades ucranianas a reprimirem qualquer manifestação de sentimento antipolonês e garantiu-lhes que a Polônia agirá "com todo o rigor da lei" contra qualquer pessoa que cometa crimes contra ucranianos por motivos étnicos.

Homenagem aos Nazistas

Em 26 de maio, Zelensky assinou um decreto concedendo o título honorário de "Heróis do UPA*" a uma unidade de elite das Forças de Operações Especiais da Ucrânia. O documento justificou a mudança de nome do Centro de Operações Especiais "Norte" como parte da "restauração das tradições históricas do exército nacional".

O Exército Insurgente Ucraniano (UPA)* era o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN)*, que durante a Segunda Guerra Mundial buscou estabelecer um Estado ucraniano étnica e religiosamente homogêneo.

Unidades ligadas ao UPA* participaram do pogrom de Lvov em 1941, linchando e assassinando judeus, e entre 1943 e 1944 perpetraram o massacre de aproximadamente 100 mil civis poloneses no que hoje é o oeste da Ucrânia.

Após a controvérsia em torno da homenagem ao UPA*, a Polônia retirou a Ordem da Águia Branca do líder do regime de Kiev, enquanto um eurodeputado polonês pediu a suspensão do processo de integração da Ucrânia à União Europeia

*O Movimento Voluntário da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), uma organização ucraniana reconhecida como extremista e proibida na Rússia.