O sucesso mundial dos bonecos Labubu ganhou um ingrediente inesperado nas redes sociais. Uma teoria da conspiração, compartilhada por religiosos, afirma que o personagem seria inspirado na figura de Pazuzu, um demônio da antiga Mesopotâmia popularizado pelo filme "O Exorcista".
A comparação viralizou em vídeos curtos em redes sociais, levando até mesmo algumas pessoas a destruir os próprios bonecos por medo de uma suposta influência maligna.
A principal alegação surgiu após publicações exibirem um Labubu ao lado de imagens artísticas de Pazuzu, acompanhadas de mensagens como: "Não compre este brinquedo demoníaco para seus filhos".
A semelhança, no entanto, é sustentada apenas por comparações visuais feitas por usuários das redes, sem qualquer evidência de que o personagem tenha sido inspirado na figura mitológica.
Os fatos
A teoria não resiste à checagem. Não há nada que indique qualquer relação entre Labubu e Pazuzu.
A representação tradicional de Pazuzu na arte mesopotâmica é bastante diferente. A entidade costuma aparecer com asas, cauda, garras e traços híbridos entre homem e animal, enquanto o Labubu tem aparência inspirada em criaturas fantásticas.
"Pazuzu é um demônio maligno (...), mas também pode agir como espírito protetor. Os assírios colocavam estatuetas dele em suas casas ou usavam amuletos com sua cabeça para protegê-los de espíritos malignos", explica o portal de arqueologia do governo francês, ligado ao Museu do Louvre.
Origem do Labubu
A origem do personagem também é bem documentada. O Labubu foi criado em 2015 pelo artista de Hong Kong Kasing Lung para a série de livros ilustrados The Monsters.
Em entrevistas, Lung afirmou que desenvolveu os personagens inspirado nos contos de fadas e no folclore do norte da Europa que conheceu durante a infância, quando viveu na Holanda. Em 2019, os personagens passaram a ser produzidos em escala mundial pela empresa chinesa Pop Mart, tornando-se um fenômeno entre colecionadores.
Segundo a própria Pop Mart, os Labubus podem ter aparência travessa, mas são personagens "gentis, otimistas e prestativos".