Novo obstáculo para cruzeiro LGBT: segundo país fecha seus portos

"Preocupa-me que outros países também se sintam encorajados a proibir cruzeiros voltados ao público LGBT em seus portos", afirmou Kyle Olsen, proprietário de outra empresa de turismo LGBT.

O Egito negou autorização para que o cruzeiro Scarlet Lady, da Virgin Voyages, atracasse em seus portos. A informação foi publicada pelo jornal The Guardian na quinta-feira (9).

A embarcação foi fretada pela Atlantis Events para um cruzeiro temático LGBT* e havia partido de Atenas com destino a Veneza em um roteiro de dez dias, com escalas na Turquia e no Egito.

Os passageiros foram informados de que a parada em Alexandria havia sido cancelada após o governo egípcio negar a entrada do navio em suas águas.

Segundo veto

O diretor-executivo da Atlantis Events, Rich Campbell, afirmou que a empresa e a Virgin Voyages trabalharam "incansavelmente" para manter a escala no Egito e lembrou que um roteiro semelhante foi realizado em 2025 sem incidentes.

A decisão egípcia ocorreu poucos dias depois de a Turquia também impedir a atracação do cruzeiro.

As autoridades turcas justificaram a medida afirmando que o navio havia sido fretado por "grupos conhecidos por comportamentos que não se alinham com a estrutura da sociedade e seus valores morais".

Sem explicação

A Turquia também declarou que a chegada da embarcação gerou preocupação pública e afirmou que "não existe absolutamente nenhuma possibilidade" de permitir a visita do grupo. O Egito, por sua vez, não explicou o motivo da proibição.

O empresário Kyle Olsen, proprietário de uma agência de turismo voltada ao público LGBT, disse que a decisão egípcia pode ter sido influenciada pelo veto turco. "Me preocupa que outros países se sintam encorajados a proibir também os cruzeiros gays em seus portos", afirmou.

Segundo Olsen, a parada no Egito era um dos momentos mais aguardados da viagem. "Muitos passageiros pagaram muito dinheiro por excursões privadas para ver as pirâmides e os museus. Seria a viagem de suas vidas, mas agora estão em um limbo", declarou.

*O movimento internacional LGBT é classificado como uma organização extremista no território da Rússia e proibido no país.