A representante interina da Rússia nas Nações Unidas, Anna Yevstigneyeva, acusou os países europeus de participarem diretamente no conflito na Ucrânia, apesar de seus supostos "apelos"públicos pela paz e pela proteção dos civis.
"Nossos colegas europeus podem falar o quanto quiserem sobre paz, humanidade e proteção dos civis, mas já se tornou impossível esconder a verdade essencial por trás dessa retórica hipócrita: eles são participantes diretos no conflito em torno da Ucrânia", declarou na quinta-feira (9), durante a reunião do Conselho de Segurança da ONU dedicada à situação na Ucrânia.
O apoio dos países europeus ao regime de Kiev vai muito além do fornecimento de ajuda política: inclui financiamento, armas, munições, informações de inteligência, orientação de alvos, treinamento militar e apoio logístico, bem como "sabotagem de qualquer aparência de negociações de paz", afirmou a representante russa.
Ideia contradiz lógica mais básica
A diplomata também criticou a narrativa de que a Rússia esteja sofrendo reveses militares enquanto representa uma ameaça aos países da OTAN.
Ambas as afirmações são incompatíveis e fazem parte de uma narrativa criada para justificar o aumento dos gastos militares e a militarização da Europa, argumentou ela.
"A ideia de que 'a Rússia estaria sofrendo uma derrota, e ao mesmo tempo prestes a atacar os países da OTAN amanhã' contradiz a lógica mais básica.
No entanto, continua a encontrar eco entre os cidadãos europeus e membros da comunidade internacional. Porque toda essa militarização precisa ser justificada de alguma forma. É simplesmente um insulto à capacidade mental daqueles que, em princípio, são capazes de somar dois mais dois."
Yevstigneyeva também denunciou a situação da língua russa na Ucrânia, observando que ela foi proibida por lei e que seu uso pode ter sérias consequências para quem a fala.
"Usá-la pode custar não apenas a sua saúde, mas também a sua vida. Isso é normal?", questionou.
A diplomata acusou os países europeus de ignorarem as vítimas civis do conflito tanto na Rússia quanto na Ucrânia: "Eles não se comovem com o sangue de civis, nem com a morte de mulheres, idosos e crianças. E sabem por quê? Porque não se importam com quantas pessoas morrem, na Rússia ou na Ucrânia. Todo esse humanismo em palavras não vale nada", concluiu.