Irã: 'Não responderemos à linguagem desrespeitosa de Trump com vulgaridade, mas com ação'

"Dirigir-se à nação civilizada e corajosa do Irã com uma linguagem depreciativa não diminui sua grandeza", afirmou o ministro das Relações Exteriores da República Islâmica, Seyed Abbas Araghchi.

O ministro das Relações Exteriores do Irã,  Abbas Araghchi, afirmou nesta quarta-feira (8) que a República Islâmica não responderá ao presidente dos EUA, Donald Trump, com a mesma "vulgaridade" com que ele se dirige ao povo iraniano.

"Não respondemos à vulgaridade com vulgaridade, mas com ação: sem medo e com grande coragem", escreveu o diplomata iraniano na rede social X, destacando que "os iranianos são conhecidos por sua cortesia, cultura e sólidos valores morais".

Araghchi também criticou as declarações de Trump e afirmou que "dirigir-se à nação civilizada e corajosa do Irã com uma linguagem depreciativa não diminui sua grandeza".

A reação do ministro das Relações Exteriores do Irã ocorreu após Trump afirmar, durante sua participação na Cúpula da OTAN, em Ancara, Turquia, que os iranianos "são um pouco loucos" e zombar do funeral do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, morto durante os bombardeios conjuntos realizados pelas Forças Armadas dos EUA e de Israel contra a República Islâmica em fevereiro.

Trump defendeu os bombardeios contra o Irã, nos quais também morreram centenas de civis, e afirmou que a ação militar deveria ter sido realizada "há 47 anos". Além disso, argumentou que as operações extraterritoriais do Pentágono foram executadas porque, segundo ele, Teerã atuava como o "valentão" do Oriente Médio.

"Agora eles têm outro grupo de líderes; eles poderiam ir embora (em alusão à morte do aiatolá Ali Khamenei). Quem sabe? E sabem de uma coisa? Eu também poderia morrer, porque sou o alvo número um. Eles estão por toda parte. Sou o alvo número um porque é assim que eles agem e é assim que têm agido há 47 anos. Eles são um pouco loucos", acrescentou Trump.

Nova escalada

As Forças Armadas dos EUA lançaram uma série de ataques aéreos contra o Irã nesta terça-feira (7) para "impor altos custos por atacar navios mercantes tripulados por civis inocentes em uma via navegável internacional", conforme afirmou o Comando Central dos EUA (Centcom) em suas redes sociais.

Entretanto, a mídia iraniana noticiou explosões nas cidades portuárias de Sirik e Bandar Abbas, bem como nas ilhas de Qeshm e Kharg, onde se encontram importantes infraestruturas petrolíferas iranianas e de onde provêm 90% das exportações totais de petróleo bruto do país.

Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabad, afirmou que "ao mesmo tempo em que emite um sério alerta sobre as consequências do descumprimento do acordo por parte dos Estados Unidos, o Irã tomará medidas decisivas para salvaguardar seus interesses e segurança nacionais", afirmou.

Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou na quarta-feira (8) ter realizado uma operação conjunta com mísseis e drones contra 85 alvos militares dos EUA no Oriente Médio. Segundo a IRGC, os ataques atingiram instalações usadas pelas forças americanas no Bahrein e no Kuwait, e um drone MQ-9 foi abatido.