O mistério das estranhas bolas metálicas encontradas em praias da Austrália

Localizados na região de Forrest Beach, próximo a Townsville, os itens levantaram suspeitas de conter substâncias químicas perigosas, levando a polícia e o corpo de bombeiros a isolarem um raio de 50 metros ao redor de cada peça encontrada.

A descoberta de seis esferas metálicas, apelidados de "bolas espaciais", em praias ao norte de Queensland, na Austrália, mobilizou autoridades e moradores entre a última sexta-feira (3) e o domingo (5).

Localizados na região de Forrest Beach, próximo a Townsville, os itens levantaram suspeitas de conter substâncias químicas perigosas, levando a polícia e o corpo de bombeiros a isolarem um raio de 50 metros ao redor de cada peça encontrada.

De acordo com a Agência Espacial Australiana, os materiais recolhidos apresentam características compatíveis com lixo espacial, especificamente vasos de pressão de um veículo de lançamento.

Em comunicado, o órgão afirmou que a localização e a natureza dos objetos são consistentes com detritos de um corpo de foguete estrangeiro que reentrou recentemente na atmosfera terrestre a partir da órbita.

Embora o governo local tenha avaliado que os objetos encontrados são seguros, as autoridades mantêm o alerta para novos achados.

A orientação é que a população não toque ou mova qualquer objeto suspeito, tratando-os, a princípio, como perigosos.

A agência australiana segue em contato com organismos internacionais para identificar formalmente a origem do foguete e o país responsável pelo lançamento. 

A análise técnica

De acordo com Alice Gorman, arqueóloga espacial e especialista em lixo orbital da Universidade Flinders, a ausência de marcas de queimadura ou de incandescência nos materiais reforça a hipótese de que os itens podem ser componentes de um estágio de foguete que se desprendeu durante uma missão espacial. 

Gorman, citada pelo the Guardian, explica que o estado das peças sugere que elas pertencem a um sistema de combustível, possivelmente de um primeiro ou segundo estágio de um foguete.

"Parecem ser vasos de pressão feitos de ligas de titânio, que possuem um ponto de fusão muito elevado", afirmou a especialista.

Ela levantou a hipótese de que os materiais possam ser de origem marinha, afastando a exclusividade da tese de que seriam detritos espaciais. Segundo ela, se os objetos fossem esferas espaciais, poderiam conter resquícios de hidrazina – um combustível de foguete altamente tóxico.