'Mais uma demonstração de má-fé': Teerã critica EUA pelo fim das isenções ao petróleo iraniano

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou a medida como uma "violação flagrante" do Artigo 10 do memorando assinado em 18 de junho, em Islamabad, para pôr fim ao conflito com Washington.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou nesta terça-feira (7) a decisão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos de revogar a suspensão temporária do embargo às vendas de petróleo iraniano.

Em comunicado, Teerã afirmou que a medida constitui uma "violação flagrante" do Artigo 10 do Memorando de Entendimento assinado em 18 de junho, em Islamabad, capital do Paquistão, para pôr fim à guerra com Washington.

Apenas 20 dias após a assinatura do acordo, os Estados Unidos revogaram a autorização geral emitida em 21 de junho. O Irã denunciou que a decisão constitui "mais uma demonstração de má-fé, instabilidade e falta de confiabilidade" por parte do governo dos EUA, que, segundo Teerã, descumpriu, nesse curto período, vários artigos do memorando, seja diretamente ou por meio de ações de Israel no Líbano.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que atuou de boa-fé e cumpriu seus compromissos com todos os recursos disponíveis, além de acusar Washington de recorrer a pretextos para justificar um descumprimento sistemático do acordo.

Além disso, advertiu sobre as consequências dessa violação e afirmou que adotará "todas as medidas necessárias" para proteger os interesses e a segurança nacional da República Islâmica do Irã.

Isenções ao petróleo iraniano

O Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos revogou na terça-feira (7) as isenções temporárias para a venda de petróleo iraniano adotadas no âmbito do memorando de entendimento assinado com Teerã.

Segundo o comunicado, novas transações estão proibidas a partir de 7 de julho, enquanto as operações iniciadas anteriormente poderão ser concluídas até 17 de julho.

Nesta terça-feira (7), uma autoridade do governo dos Estados Unidos explicou ao portal Axios que "o memorando de entendimento em vigor com o Irã se baseia exclusivamente no cumprimento de determinados requisitos", o que significa que Teerã só terá acesso aos benefícios se cumprir o acordo.