Corpos não reivindicados das vítimas do terremoto começam a ser enterrados

A informação foi dada por José Alejandro Terán, governador do estado de La Guaira, região mais afetada pelos tremores.

Na segunda-feira (6), teve início o sepultamento em covas individuais dos corpos não reclamados — mas já identificados — das vítimas dos terremotos que atingiram a Venezuela em 24 de junho. 

A informação foi dada por José Alejandro Terán, governador do estado de La Guaira, região mais afetada pelos tremores.

"A partir de hoje, os corpos que não forem reclamados devido ao avançado estado de decomposição começarão a ser levados ao Cemitério da Esperança, no estado de La Guaira, para sepultamento. Mas serão devidamente identificados — não haverá valas comuns. Os falecidos serão tratados com toda a compaixão, e cada um será sepultado em uma cova individual", declarou o governador à imprensa local.

Ele informou ainda que, até o momento, já foram recuperados cerca de 2.400 corpos, dos quais mais de 2.200 já foram liberados às famílias para sepultamento cristão.

Apenas 231 permanecem sem identificação. Segundo Terán, porém, todo o processo de identificação seguiu protocolos internacionais, o que deve facilitar eventuais reclamações futuras.

"Ao consultar nosso arquivo, todas as informações necessárias estão lá. Assim, quando um familiar se apresentar querendo identificar algum dos corpos que estamos sepultando, poderá contar com todo o apoio de nossos especialistas em campo — pois tudo foi feito seguindo os protocolos internacionais e com o acompanhamento da Cruz Vermelha", explicou.

Terán acrescentou que o governo venezuelano está custeando os serviços funerários — sepultamento ou cremação — e oferecendo apoio espiritual e psicológico às famílias das vítimas.

De acordo com o último balanço oficial, os terremotos deixaram 3.535 mortos, 16.740 feridos e 17.854 desabrigados. Outras 6.462 pessoas foram resgatadas com vida.

Terremotos devastadores

Depois dos tremores de magnitude 7,2 e 7,5, foram registradas 1.048 réplicas de menor intensidade. Ao todo, 82 abrigos foram montados para atender os desabrigados. Os terremotos danificaram a estrutura de 856 edifícios, enquanto outros 190 foram completamente destruídos.

Um relatório das Nações Unidas estima os danos materiais diretos em US$ 37 bilhões (R$ 191 bilhões). Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou para o risco de surtos epidêmicos nos acampamentos improvisados que abrigam milhares de deslocados.