
PGR quer ouvir Flávio Bolsonaro antes de decisão sobre inquérito envolvendo calúnia contra Lula

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pode ser ouvido pela Polícia Federal antes de a Procuradoria-Geral da República se manifestar no inquérito que apura calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles nesta segunda-feria (6), após pedido enviado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Gonet solicitou que os autos retornem à Polícia Federal para a realização da oitiva do parlamentar. A manifestação foi apresentada ao STF nesta segunda e ocorre depois de a corporação encaminhar relatório sobre o caso.
Segundo o procurador-geral, o depoimento deve ocorrer "sobretudo em razão da possibilidade de retratação, capaz de isentá-lo de pena". A retratação é prevista no Código Penal.
No documento, Gonet informou que a defesa de Flávio Bolsonaro havia pedido diligências à Polícia Federal e solicitado que o senador fosse ouvido apenas depois dessas medidas. Os requerimentos foram indeferidos pela corporação.
Mesmo com o relatório da Polícia Federal já concluído, a PGR afirmou que ainda é preciso colher o depoimento do senador antes da manifestação sobre o resultado da investigação.
Pedido ao STF
"A manifestação é, assim, pelo retorno dos autos à Polícia Federal a fim de que seja realizada a oitiva do investigado. Após, requer nova concessão de vistas para manifestação sobre o relatório conclusivo das investigações", declarou Gonet.
O pedido está com Alexandre de Moraes, que ainda não decidiu se o inquérito será remetido novamente à Polícia Federal.
A investigação contra Flávio Bolsonaro chegou ao STF com relatório da Polícia Federal em 26 de junho. A corporação concluiu que o senador cometeu calúnia contra Lula ao atribuir ao presidente os crimes de tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro.
A apuração se baseia em uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede X em 3 de janeiro, após o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.
Na mensagem, o senador escreveu: "Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas…".
Para a Polícia Federal, a publicação vinculou Lula a Maduro, preso sob acusação de envolvimento com tráfico internacional de drogas.

