'Aproveitar a vida': RT ajuda moradora da região de Zaporozhie a obter cidadania russa

Após mais de um ano de trâmites e dificuldades causadas pelo conflito, problemas de saúde e falta de documentos, Liana Berulava, de 74 anos, recebeu o passaporte russo com apoio do projeto "Não Estou Sozinha", da RT.

A moradora da região de Zaporozhie Liana Berulava, de 74 anos, recebeu nesta segunda-feira (6) a cidadania russa após mais de um ano de trâmites burocráticos com apoio do projeto "Não Estou Sozinha", da RT. O caso foi marcado por dificuldades para comprovar sua identidade, problemas de saúde e pelo fato de ela viver em uma zona de conflito.

O filho de Liana, Nikolai Berulava, procurou o projeto em busca de ajuda para regularizar a situação jurídica da mãe e resolver pendências relacionadas à suspensão de sua aposentadoria.

"Gostaria de expressar minha gratidão ao projeto 'Não Estou Sozinha' da RT, a todos os jornalistas e à Margarita Simonyan (diretora do grupo RT). Desejo a todos saúde, sucesso, prosperidade e paz", afirmou Nikolai.

Além das dificuldades para obter a cidadania, Liana também enfrentava a suspensão dos pagamentos de sua aposentadoria devido a um erro na data de nascimento registrada em sua carteira de trabalho. Após solicitações enviadas pela RT ao Ministério do Interior e ao Fundo Social da Rússia, a idosa voltou a receber o benefício.

O processo de emissão do passaporte também foi atrasado pela ausência de documentos que comprovassem mudanças de sobrenome ao longo da vida. Liana perdeu a certidão de divórcio do primeiro casamento e, por morar em uma aldeia isolada e ter limitações de mobilidade, não conseguia solicitar uma segunda via.

Depois de novo pedido da RT ao Ministério do Interior, as autoridades informaram que buscariam o documento diretamente junto ao cartório. Em dezembro de 2025, a família entregou a documentação restante e, em junho de 2026, funcionários do Ministério do Interior foram até a residência de Liana para concluir o processo de registro.

Uma vida marcada por conflitos

Nascida em 1952 na aldeia de Kamysh, no distrito de Ochamchira, na então República Socialista Soviética da Abcásia, Liana foi adotada aos cinco anos por um veterano da Grande Guerra Patriótica.

Formada como artista de porcelana em Krasnodar, mudou-se depois para Sukhumi, onde conheceu seu segundo marido, Nikolai Berulava. Com o início da guerra entre Geórgia e Abcásia, em 1992, ele morreu durante um ataque, deixando Liana sozinha para criar os dois filhos.

Ela então se mudou para a região de Zaporozhie, onde passou a sobreviver com trabalhos temporários, como limpeza de casas, serviços domésticos e atividades agrícolas.

Sem o reconhecimento da independência da Abcásia pela Ucrânia, Liana precisou substituir seu passaporte soviético por um documento georgiano.

Ela nunca conseguiu obter a cidadania ucraniana e possuía apenas autorização de residência. Quando começou a operação militar especial em 2022, seu passaporte georgiano já estava vencido.

Enquanto os filhos conseguiram obter a cidadania russa sem dificuldades após a incorporação das novas regiões à Rússia, Liana permaneceu apenas com autorização de residência devido à situação documental.

Agora, com o passaporte russo em mãos, a família afirma que o longo processo chegou ao fim.

"Finalmente tenho a oportunidade de simplesmente viver e aproveitar a vida depois de toda a burocracia que atormentou a mim e à minha mãe. Agora, como cidadã russa, ela tem todos os direitos e a oportunidade de melhorar sua saúde. Ela está muito feliz e antes nem sonhava que seu sofrimento terminaria, mesmo em idade avançada", disse Nikolai Berulava à RT.