Ativista morta, narcotraficante e presidente: a investigação que está abalando o Equador no mundo

A contradição entre a versão oficial inicial e as conclusões da perícia gerou alarme internacional.

O assassinato da ativista e pesquisadora polonesa Monika Silva Koniuszek, em Montañita (província de Santa Elena, Equador), desencadeou uma reação internacional e colocou as autoridades equatorianas nos holofotes.

Koniuszek, conhecida por denunciar redes de tráfico de drogas e terras na costa equatoriana, foi encontrada morta em sua residência no dia 8 de junho. Inicialmente, o ministro do Interior, John Reimberg, afirmou tratar-se de um suicídio, citando depressão, o encontro de uma corda e um suposto bilhete de despedida.

No entanto, o laudo médico-legal desmentiu a hipótese oficial: a causa da morte foi asfixia mecânica por constrição do pescoço. A Fiscalía investiga o caso como feminicídio, mas a contradição entre o relato do governo e o exame forense gerou alerta global.

A relatora especial da ONU para Defensores de Direitos Humanos, Andrea Bolaños Vargas, cobrou o Estado equatoriano para que garanta a proteção de ativistas e realize uma investigação "rápida, exaustiva, independente e transparente" para punir os responsáveis. Vargas classificou o caso como emblemático da crise de insegurança que atinge defensores de direitos humanos no país.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) também instou o Equador a conduzir uma investigação imparcial e a ampliar as linhas de investigação para esclarecer o crime.

Denúncias e conexões políticas

Koniuszek investigava irregularidades na venda de terras em Santa Elena e supostos vínculos do narcotráfico com o grupo Noboa Trading, pertencente à família do presidente Daniel Noboa. Segundo colegas, a ativista afirmou ter entregue documentos sensíveis sobre o tema à Embaixada dos Estados Unidos, em Quito.

O assassinato é visto por aliados como parte de uma onda de ataques contra vozes críticas na região. Em novembro de 2025, o comunicador Robinson del Pezo, conhecido como "Voz do Pueblo", foi morto em La Libertad após denunciar sobrepreços em contratos públicos.

"Depois que mataram o Robinson, nós éramos os próximos alvos", disse o jornalista Joffre Paredes, amigo de Koniuszek e que agora sofre ameaças. Paredes relatou que ambos denunciavam ilegalidades em contratos estatais e afirmou categoricamente que a morte da ativista não pode ficar impune. "Ela nunca se suicidou", reiterou.