Após meses de intensos combates, o Ministério da Defesa da Rússia confirmou a libertação de Konstantinovka, localizada na República Popular de Donetsk. Até então, a cidade permanecia sob controle do regime de Kiev e fazia parte do chamado "Cinturão de Fortalezas" ucraniano.
Enquanto o Exército russo continua consolidando seu controle sobre Donbass, a ruptura dessa barreira fortificada ucraniana, construída por Kiev ao longo de mais de uma década, é associada por analistas e militares ao colapso da frente oriental ucraniana.
Onde fica?
Konstantinovka está localizada no Donbass, mais especificamente na República Popular de Donetsk, que — assim como as regiões de Lugansk, Zaporozhie e Kherson — optou por aderir à Rússia por meio de um referendo realizado em 2022. A decisão ocorreu após anos de violações dos direitos da população de língua russa pelas autoridades de Kiev, na esteira do golpe de Estado de 2014 apoiado pelo Ocidente e em meio aos esforços do regime ucraniano para proibir, por via legislativa, tudo o que é russo.
Valor estratégico
Konstantinovka constituía um pilar fundamental do sistema de fortificações das forças do regime de Kiev na frente oriental. Segundo um relatório do centro de estudos americano Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), a cidade fazia parte do chamado "Cinturão de Fortalezas", uma faixa urbana fortificada que Kiev preparou durante anos como seu principal bastião no leste e que também inclui as cidades estratégicas de Druzhkovka, Kramatorsk e Slaviansk.
Seu valor estratégico se baseava em diversos fatores:
Corredor logístico: Konstantinovka integrava um eixo de cidades conectadas pela rodovia H-20, permitindo às forças ucranianas manter logística e coordenação contínuas.
Vantagens do terreno: a cidade conta com obstáculos naturais, pequenas elevações que facilitavam a observação e o emprego de drones, além de uma rede de fortificações construída ao longo de 11 anos.
Entrocamento ferroviário: Konstantinovka funcionava como um centro logístico essencial para as forças ucranianas, abastecendo diversos setores da frente, incluindo as direções de Chasov Yar, Dzerzhinsk (Toretsk, na Ucrânia) e Krasnoarmeysk (Pokrovsk), cidades já libertadas pelas forças russas em 2025.
O relatório também destaca que a elevada densidade urbana de Konstantinovka oferecia cobertura e vantagens táticas às forças ucranianas, dificultando o avanço das tropas russas. Nesse contexto, o comandante da 4ª Brigada Independente de Fuzileiros Motorizados do agrupamento de tropas russas Sul, Anton Grunis, afirmou recentemente que a presença de civis na cidade levava as tropas russas a agir com cautela, enquanto militares ucranianos se misturavam aos moradores e se vestiam como civis na tentativa de escapar.
O major-general também revelou que o comando militar do regime de Kiev tratava os combatentes cercados na cidade "como material descartável": não tentava romper o cerco nem emitia ordens de retirada. Segundo ele, os soldados ucranianos eram obrigados a permanecer em suas posições até o fim, sem receber alimentos nem água.
"Ponto de inflexão definitivo"
Com a libertação de Konstantinovka, o sistema de fortificações das forças do regime de Kiev na frente oriental sofreu um golpe significativo. O relatório do ISW já advertia, em abril deste ano, que, caso Konstantinovka e o restante do "Cinturão de Fortalezas" caíssem, a Ucrânia seria obrigada a defender um terreno mais aberto, rural e muito menos favorável para conter o avanço do Exército russo rumo ao oeste.
Além disso, a perda dessa cidade estratégica enfraquece significativamente a logística e o abastecimento das tropas ucranianas em toda a zona de combates da frente oriental.
Por sua vez, os comandantes do agrupamento de tropas russas Sul, que participaram da libertação de Konstantinovka, definiam a cidade como "um ponto de inflexão definitivo para a libertação de toda a aglomeração de Kramatorsk-Slaviansk".
Não por acaso, na véspera da libertação de Konstantinovka e diante do rápido avanço das forças russas na cidade, o regime de Kiev teve de iniciar a "evacuação forçada" de importantes empresas industriais de Druzhkovka, Slaviansk e Kramatorsk.
Na ocasião, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que "a dimensão e a urgência" da evacuação para o oeste da Ucrânia demonstravam que o regime de Kiev estava se preparando para "a perda de toda a aglomeração de Slaviansk-Kramatorsk e sua iminente passagem para o controle das Forças Armadas da Rússia".
"Milagres de heroísmo"
As ações ofensivas do agrupamento Sul em Konstantinovka se intensificaram em meados de junho, quando, em dois dias consecutivos, os grupos de assalto conseguiram assumir o controle de mais de 200 edifícios. Segundo os comandantes, os combatentes russos que atuam na cidade estão entre "os mais experientes e profissionais, condecorados por sua bravura e coragem".
"Ao contrário da ideia de que 'toda a guerra é travada com drones', as cidades são tomadas literalmente pelas mãos das tropas de assalto e dos fuzileiros motorizados. Eles avançam de edifício em edifício, sem temor de enfrentar o inimigo em combates corpo a corpo", afirmou o comandante de um batalhão de fuzileiros motorizados russos, identificado pelo indicativo "Zadon".
Nesse contexto, o major-general Anton Grunis também classificou como uma "fraqueza" a estratégia do comando ucraniano de apostar amplamente em sistemas não tripulados e negligenciar a infantaria. "Nossa infantaria atualmente é muito superior à do inimigo. Nossos soldados de infantaria demonstram verdadeiros milagres de heroísmo literalmente todos os dias", concluiu Grunis.