
Keiko Fujimori é proclamada vencedora da eleição presidencial no Peru

Keiko Fujimori, candidata do Fuerza Popular, foi proclamada oficialmente nesta sexta-feira (3) vencedora do segundo turno das eleições presidenciais do Peru, informou o Júri Nacional de Eleições (JNE).
Em uma cerimônia oficial, o presidente do JNE, Roberto Burneo, proclamou Fujimori como presidente eleita do país, além de Luis Galarreta como primeiro vice-presidente e Miguel Torres como segundo vice-presidente. O resultado já havia sido antecipado no início da semana pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (ONPE), que anunciou na segunda-feira (29) que, após a apuração de 100% das atas eleitorais, a candidata conservadora seria a nova presidente do país.
🚨 #LOÚLTIMO | JNE proclama los resultados de la segunda vuelta presidencial. Oficialmente, Keiko Fujimori es la nueva y primera presidente mujer elegida por voto para el periodo 2026 - 2031. pic.twitter.com/ea4Gst5744
— Roger García (@Aderly) July 3, 2026
Segundo o órgão, Fujimori obteve 9.223.396 votos válidos, o equivalente a 50,135% do total, contra 9.173.755 votos (49,865%) de seu adversário no segundo turno, o candidato de esquerda Roberto Sánchez. A diferença entre os dois foi de menos de 50 mil votos.
Apuração acirrada
Desde a realização do segundo turno presidencial, em 7 de junho, os peruanos viveram semanas de expectativa diante das apurações parciais, que mostravam uma diferença mínima entre os dois candidatos.

Em determinado momento, Sánchez chegou a liderar a apuração, tendência que começou a se inverter quando os votos dos peruanos residentes no exterior passaram a ser contabilizados. A maioria deles favoreceu a candidata de direita.
Denúncias de irregularidades
As últimas semanas foram marcadas por diversas denúncias de irregularidades no processo eleitoral, o que contribuiu para o atraso no anúncio oficial do vencedor pelas autoridades eleitorais.
As organizações políticas que apoiaram Sánchez apresentaram diversos recursos por suposta fraude eleitoral e chegaram a pedir a anulação da votação realizada no exterior, pedidos que foram rejeitados pelos Júris Eleitorais Especiais.
O partido de Fujimori, o Fuerza Popular, por sua vez, rejeitou essas contestações e considerou sua vitória "juridicamente irreversível" há várias semanas.
Apoio de Washington
Na terça-feira (30), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, parabenizou Fujimori por sua "importante vitória eleitoral".
"O governo Trump espera aprofundar a colaboração com o governo Fujimori para impulsionar a cooperação em segurança e fortalecer a cooperação bilateral em investimentos e comércio em nossa região", afirmou em um breve comunicado.
A Casa Branca tem demonstrado apoio aberto a Fujimori, assim como fez com candidatos de direita em todos os países latino-americanos que realizaram eleições desde que o presidente Donald Trump voltou a ser eleito.
Filha do controverso Alberto Fujimori

Keiko Fujimori é filha do ex-presidente peruano Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000, quando foi destituído pelo Congresso. Seu governo transformou-se em uma ditadura cívico-militar após o autogolpe de 1992, período marcado por corrupção endêmica e graves violações dos direitos humanos, incluindo crimes contra a humanidade, pelos quais ele foi julgado e condenado a 25 anos de prisão. Alberto Fujimori morreu em 2024, aos 86 anos, após ter sido indultado.
A ele são atribuídas esterilizações forçadas de populações vulneráveis, homicídios e sequestros, entre outros crimes.
Segundo a imprensa peruana, Keiko Fujimori tem se orientado cada vez mais a honrar o legado de seu pai, demonstrando a intenção de governar o país com mão de ferro, ampliando o protagonismo das Forças Armadas e apostando em um modelo econômico neoliberal semelhante ao implantado por Alberto Fujimori após o autogolpe de 1992.
Ela exercerá o cargo de presidente, para o qual concorreu em quatro ocasiões, a partir de 28 de julho, em um mandato que se estenderá até 2031.
